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O perfeito, performação e performance estética, fenomenológico existencial, hermenêutica, experimental

afonso da fonseca

Estética fenomenológico existencial hermenêutica experimental, performática, per(form)ativa, em gestalt terapia e em psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial

Di Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.

Não conheço ópticas mais separadas do que a do artista que observa a elaboração de sua obra (quer dizer, se observa a ele próprio) com o olhar de uma testemunha; e a do artista ‘que esquece o mundo’: este esquecimento é a essência de qualquer arte monólogo; a arte monólogo assenta no esquecimento, a arte monólogo é a música do esquecimento.”“.

F. Nietzsche. A Gaia Ciência.

… faça o que eu digo
faça o que eu faço
aja duas vezes antes de pensar

(in Bom Conselho. Chico Buarque de Hollanda)

A especificidade do logos metódico da Gestalt Terapia, e a sua contribuição para a psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial, — e para a psicologia e psicoterapia, de um modo geral — ,é, em grande parte, a do desenvolvimento experimental, e a experimentação do valor da psicologia e da psicoterapia de uma estética da existência, como condição metódica para a vivência estésica, per-form-ativa, de atualização fenomenológico existencial de possibilidades por parte do cliente. A Gestalt Terapia, constitui-se, experimentou, e experimenta-se, assim, como uma estética performática experimental da existência. Ou seja, a Gestalt Terapia entendeu o radical valor existencial deste modo de ser; e, em particular, a riqueza de sua propiciação, no âmbito do trabalho psicológico e psicoterápico, como metodologia hábil no propiciamento da atualização de possibilidades por parte do cliente.

Importante notar, que a atuação do terapeuta e do psicólogo, no âmbito inter humano de sua relação com o cliente, e com o grupo, é, alinhada com esta concepção metodológica, igualmente, estésica, estética, experimental, e performática; dramática (ativa), poiética (fenomenativa existencialmente generativa). Isto significa que não é teórica, não é reflexiva, não é moralista, não é científica, não é técnica, não é comportamental.

Ou seja, da mesma forma que a Gestalt Terapia preconiza e propõe, para o cliente, a oportunidade pontual e regular, e o desenvolvimento da habitualidade, do estilo existencial de uma estética performática experimental – estética performática esta de sua atualidade, de suas questões, e dos elementos de sua crise existencial — ela propõe esta mesma estética performática fenomenológico existencial experimental, como logos metódico, para a ato ação do psicoterapeuta e para a ato ação do psicólogo.

De modo que é extremamente interessante, para o esclarecimento de concepção e método da Gestalt Terapia, em Psicologia e Psicoterapia, a compreensão dos sentidos particulares, valores e interesses, do modo de ser desta estética performática experimental da existência, e de sua ato ação, atualização.

O logos metódico da Gestalt Terapia – com o qual ela contribui – é, assim, o logos de uma estética existencial experimental e, especificamente, o logos metódico de sua vivência performática – vivência fenomenológico existencial, fenomenativo existencial — per-form-ativa.

A performance é o modo de ser, fenomenológico existencial experimental, especificamente ativo e poiético, da vivência. Através do qual se dá a atualização fenomenoativa do possível, enquanto tal, como fenômeno existencialmente vivido. Esse processo generativo no ser-no-mundo configura o que chamamos de poiese.

De modo que, nem teórica, nem prática – nem técnica, nem comportamental, nem objetivista –, nem científica, nem moralista, muito menos realista –, a metodologia da Gestalt Terapia é, especifica e eminentemente, estésica, uma este(sia)ética, experimental, performática, e poiética.

Nietzsche diria, física, em contra/posição a quaisquer das possibilidades abstratas da meta-física. Física, vivencial e vividamente vivida; é, assim, a performance.

Na performance assim (entendida do ponto de vista fenomenológico e existencial), naturalmente, o possível, a possibilidade, enquanto tais, vivencialmente transitam — pela ação — de uma condição de pré-compreensão, compreensão, interpretação1 e objetivação. Concluindo-se, assim, fechando-se, como o per-feito, no processo da performação, do perfazimento, da perfeição (a gestalt).

PER

O prefixo per significa: cabalmente através de, plenamente através de. Enquanto que feição, do Latim, significa ‘fazer inteiramente, acabar, terminar, perfazer; fabricar (com arte)2.

A “forma”, num sentido fenomenológico existencial, refere-se às formas do vivido. De modo que temos, do ponto de vista fenomenológico existencial, a performance, a performação, especificamente per-feição, perfazimento, como designação do processo da vivência fenomenal, no qual a forma se constitui, como processamento pré-compreensivo, a partir da força do possível fenomenalmente vivido; e se configura como tal, como atualização compreensiva; meramente compreensiva, e/ou mais ou menos inter humana, e/ou mais ou menos objetivativa.

Especificamente, o im-per-feito é o inconcluso. O inacabado, o incompleto. O mal executado; e, portanto, feito incorretamente; defeituoso, malfeito, incorreto3. Cujo ciclo (digamos) da per-feição, o ciclo de sua performance, de sua per-formação, de seu completo perfazimento, do perfazimento de sua totalidade, não se concluiu, não se fechou. O imperfeito, é a performance, a performação, a perfeição, o processo de formação figura-fundo, encalacrados. Inter-rompidos, inacabados, mal acabados, abertos.

Ah, a frustração e a queixa da mulher quando o homem não quer e/ou não sabe esperar; e o abraço e o beijo encadeados e conclusivos da inter humana dialógica da per-feição.

PERFEITOS E PERFEIÇÃO TEÓRICOS?

Freqüentemente, os sentidos de perfeito, de perfeição, obedecem a critérios abstratos de avaliação, critérios alienados do físico processo de sua per-feição, processo vivencial de elaboração fenomenológico, fenomenativa, existencial. Podemos, ter, assim, abstratos, o “perfeito”, a “perfeição” meta-físicos… Não vivenciados, mas abstrações, exatamente, do processamento da vivência de sua perfeição, de seu perfazimento, de sua per-formação.

Uma contradição em termos, naturalmente. Porque o que caracteriza o perfeito é, exatamente, a vivência do processamento de sua elaboração fenomenológico existencial, o seu perfazimento como vivência, o processo de seu perfazimento, como vivência física, corpo-ativa.

Mas podemos pensar, assim, e muito vigora, o “perfeito” meta-físico. De uma “estética” que, curiosamente, não é estésica! Mas, mais própria e especificamente, é conceitual e abstrata; e que, por isso mesmo, especificamente, não é estética. É moral e moralista.

O perfeito metafísico se constitui como adequação ótima de algo a um seu modelo teórico; ou, mais especificamente, a um seu conceito. Um “perfeito” teórico, que nada tem de vivencial, de vivenciado. Mais que isso, um “perfeito teórico, especificamente como afastamento da vivência fenomenal de ser-no-mundo, um “perfeito” teórico que nada tem da experienciação do‘perfazer’, da processualidade vivencial do ‘fazimento’ (perfazimento, performance, performação), vivido. Que nada tem de ‘feitura’, como encadeamento de atu(aliz)ação vivida de possibilidade, como possibilitação. Mas que se constitui de comparação e de avaliação, teóricas, de adequação, do fato ao conceito4, comparação e avaliação abstraídas, e especificamente afastadas, alienadas, da vivência.

PERFORMANCE ESTÉTICA

Naturalmente, na concepção e metodologia da Gestalt Terapia, e em psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial, não se trata deste tipo de “estética” teórica e conceitual, abstrata, meta-física; na verdade, estática. Trata-se, de fato, da estética, que podemos dizer, redundantemente, da própria estesia da vivência do perfazimento: estética da própria estesia da vivência do perfazimento. Assim, podemos conceber o perfeito como processo e resultante da própria vivência experimental, fenomenológico existencial hermenêutica, processamento encarnado, da per-feição; não meta-físicos, mas físicos. O feito, per-feito, resultante do processo – da travessia fenomenativa — da per-feição .

E, mais uma vez, como diria o Riobaldo Tartarana (aliás, per-feito por Guimarães Rosa), a verdade, a per-feição, não se põe nem no início nem na chegada, mas na travessia

Na travessia…

Este o sentido deste “per”, que está em per-feito, em per-feição, em
per-formance, em per-formação em per-fazimento. Perfeição de …

Travessia vivencial da feição, a per-feição é, especificamente, o perfazimento, a per-formação, a performance, num sentido de processualidade primária e eminentemente vivencial, fenomenal.

Performance que é sempre dialógica, na medida em que é toda ela e sempre dialógica do possível e de sua possibilitação. Performance que é freqüentemente inter humana. Performance que pode, meramente, ser, como mencionamos, o desdobramento (“subjetivo”) de uma compreensão, na performação compreensiva (atualização compreensiva) (a “caída da ficha”…) E/ou que pode ser mais ou menos performação, perfazimento, objetivativo. Este mesmo, mais, ou menos, organismicamente compreensivo; mais ou menos voluntário ou espontaneamente expressivo, mais ou menos motor, ou sensível, mais ou menos objetivativo. Ainda que, sempre, na ótica da expressividade sentida e vivida, e caracteristicamente desproposital.

De parte de um sujeito?

Em seu momento próprio, não exatamente. Pelo menos no que interessa, e é vital.

Na medida em que, fenomenal, o processo da performance se desenvolve como vivência espontânea de desdobramento de possibilidade. Que, como tal, é vivido e vivencial, fenomenal, fenomenativo. E não é, assim, da ordem das relações sujeito-objeto. Da mesma forma que não é da ordem das relações de causa e efeito, que não é da ordem do útil e da utilidade; que — como possível pré-compreendido e possibilitação — não é, mesmo, naturalmente, da ordem da realidade.

Similarmente, como observamos, o processo vivencial da performance, não é da ordem da teoria, não é da ordem da prática, nem da ordem do comportamental; não é da ordem do científico, muito menos da ordem do técnico. Não é da ordem do explicativo. É, especificamente, da ordem do compreensivo, da ordem do dialógico, e potencialmente da ordem da dialógica compreensão inter humana. É da ordem do poiético, do hermenêutico. Que, atu(aliz)ação de possibilidade, transita, como vivência, de pré-compreensão de possibilidade, para a sua possibilitação. Em seu característico, e próprio, despropósito poiético.

Estamos, assim, bastante distantes do “perfeito”, e de uma “estética”, meta-físicos, estabelecidos por comparação, teoricamente, abstratamente (abstraídos, justamente, do processo vivido da per-feição).

Precisamos, assim, em Gestalt Terapia, em psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial, desta compreensão do que é o perfeito, a performação, a performance fenomenológico existencial experimental. A compreensão do caráter eminentemente vivido, pré-reflevivo, pré-conceitual, intuitivo, fenomenal, hermenêutico, fenomenológico existencial, experimental, ativo, per-form-ativo (poiético)(de travessia da vivência da duração), do processo de sua feição, per-feição; especificamente física, corpo-ativa, estésica, est-ética…

Ou seja, precisamos da compreensão do quanto este processo ativo — mais ou menos compreensivo/intuitivo, mais ou menos espontâneo/voluntário, mais ou menos compreensivo ou motor (o próprio “caminho do meio”) –, o quanto este processo é, em seu momento e movimentação próprios, especificamente, vivência corporal, vivência corpoativa, sentidos, sentidação. Estésico, assim, neste sentido (vivência configurativa das sensações, como totalidades compreensivas específicas, e especificamente diferentes da soma de suas partes, sensibilidade, capacidade de perceber o sentimento da beleza).5 Propiciado por uma est(esia)-ética. Por uma Estética. Que é um modo de proceder (uma ética), uma atitude de ação, que privilegia o, fenomenal, o ponto de vista estésico. O ponto de vista, fenomenológico existencial, da sensibilidade, da vivência, da capacidade de engendrar e vivenciar o belo, o perfeito.

Deste modo, a vivência gestáltica, o logos metódico da Gestalt Terapia, e da psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial, além de se caracterizar como sendo fenomenológico existencial experimental, é, por isso mesmo, uma metodologia estética e performática experimental. O interesse metódico em Gestalt Terapia é o da experiência experimental da vivência estésica da per-feição, no estésico engendramento próprio do perfeito, e na vivência e apreciação estésicas de sua perfeição. Uma estética, como processo hermenêutico de atualização de possibilidades, no âmbito da atualidade e atualização existencial do cliente. Uma estética como procedimento metódico do terapeuta/psicólogo.

Estética como atualização meramente compreensiva, muito freqüentemente. Ou estética como atualização objetivativa. não importa. O que importa é a natureza per-form-ática experimental da sua experiência. E o desenvolvimento do ponto de vista estético, como critério existencial. Ao mesmo tempo que o desenvolvimento de um estilo existencial performático experimental, vigoroso, robusto, e sensível, no eterno e incontornável processo existencial de atualização de possibilidades, no humano ser-no-mundo. Processo que do possível e do próprio mundo se nutre, no enfrentamento com, e no afrontamento criativo do mundo e da vida coisificados; e no afrontamento e enfrentamento criativos da fatalidade da própria coisidade e da própria coisificação da realidade realizada, fatalizada.

O EXPRESSIONISMO E O LOGOS METÓDICO ESTÉTICO PERFORMÁTICO DA GESTALT TERAPIA E DA PSICOLOGIA E PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL

Histórica e paradigmaticamente, não é certamente difícil acompanhar a linha constitutiva deste caráter fundamental da concepção e método da Gestalt Terapia e da psicologia e psicotrerapia fenomenológico existencial.

De um modo mais imediato, este caráter performático advém, de modo fundamental, do caráter performático do Expressionismo. Que, seminalmente, influenciou o desenvolvimento da concepção e método da Gestalt Terapia.

Num segundo momento (ou primeiro), a influência vem do perspectivismo nietzscheano, que já é fonte do perspectivismo, e do caráter performático do Expressionismo, enquanto movimento das artes européias da segunda metade do século XIX, e primeira metade do século XX.

Pois bem, a experiência com teatro, em especial com o teatro de Max Reinhardt, que desde os quatorze anos de idade é experiência fundamental na vida de Fritz Perls, e no desenvolvimento da Gestalt Terapia; a experiência de Laura Perls com teatro e com expressão corporal, igualmente importantes, no desenvolvimento da formulação conceitual e metodológica da Gestalt Terapia, são experiências com artes cênicas e expressivas, de natureza e filiação especificamente Expressionistas. São experiência que profundamente marcarão o caráter do paradigma conceitual e metodológico da Gestalt Terapia.

O Expressionismo6 surgiu, nos finais do Século XIX, como um imenso, vigoroso e essencial afrontamento à hegemonia do Positivismo, do objetivismo científico, da ciência, da objetividade, do princípio de realidade, e da própria realidade.

Sinalizava o que viria a ser indicado, depois, pela fenomenologia existencial, pela filosofia da existenz, e pelo existencialismo. Ou seja, que, fora, e distanciados, desse modo de sermos que é a experiência fenomenal, fenomenológica e fenomenativa do vivido (que não é da ordem do conceitual e do teórico; que não é da ordem da objetividade, nem da ordem da subjetividade, nem mesmo da intersubjetividade: porque não é da dimensão da dicotomia sujeito-objeto; que não é da ordem da dimensão da vivência das causas e dos efeitos, dos meios e dos fins; que não é da ordem da utilidade, portanto; nem da ordem da realidade, na medida em que é, antes, essencialmente prenhe de possíveis não realizados), distanciados deste modo de sermos da vivência fenomenal, eminentemente experimentativa, estamos exilados do que nos é ontologicamente mais essencial.

A Experiência fenomenal do vivido não se movimenta no âmbito da explicação, da teoria e da conceituação; também não se movimenta no eixo das causas e dos efeitos, da causalidade. Não é da ordem da utilidade, ainda que dela brotem todos os úteis e as suas utilidades, mesmo que dela provenha a objetividade do mundo. Sobretudo, é experiência que não é da ordem da realidade (no sentido objetivo do termo), na medida em que não é da dimensão da objetividade; e é, muito mais, impregnada de possível e de ação possibilitativa, do que de real.

Pois bem, fora e distanciados dessa insólita experiência fenomenal e fenomenativa do vivido, sinalizava o Expressionismo estamos exilados. O mundo, enquanto realidade objetivada não é a casa do homem, como diria Heidegger.

Num momento em que o mundo e a vida coisificados avizinhavam absurdos e terrores nunca imaginados, a vivência fenomenativa humana reivindicava expressão, em seus próprios termos. E veio o Expressionismo, representado, naquele momento, pelo pavor do Grito, de Munch.

O Expressionismo reivindicava, então, expressão e lugar para este modo de sermos que é o vivido, o fenomenal, o existencial; potente e possibilitativo, poiético. Mesmo, e em particular, contra a estranha sensação de absurdidade, por não ser esta dimensão essencial do humano e do mundo, da ordem das relações sujeito-objeto, da ordem das relações de causa e feito, da ordem da utilidade, nem mesmo da ordem da realidade.

O Expressionismo7 surge, então, como um estilo, artístico.Mas, na verdade, com muito mais amplas implicações; implicações em particular culturais, e especificamente existenciais. Um estilo artístico e existencial, que intenta centrar-se na, e concentrar, a experiência dita subjetiva: a experiência fenomenal, fenomenológica e fenomenativa do vivido.

De modo que, centrada, e própria, e otimamente, concentrada, possa esta experiência manifestar-se potente, fluída, expressiva, e integralmente; como ato expressivo, como performance, per-form-ação. A performance que configura a obra de arte, ou o desempenho artístico, como per-feição, como per-feito; se transita, plena e fluidamente, pelo ciclo de sua complementação, ciclo de sua per-feição, de seu perfazimento, na expressão, ato(aliz)ação, mais ou menos compreensiva, e sempre fenomenativa; mais ou menos objetivativa, da forma de um possível, que se atualiza em sua per-feição.

A experiência do vivido podendo concentrar-se como uma mola, ou como a musculatura de uma pantera no prenúncio do bote; e botando, atu(aliz)ando o bote expressivo, na performance.

Assim nasceu, e atualizou-se, uma Isadora Duncan, e sua dança expressionista; a arte dos pintores expressionistas, dos escultores, do teatro expressionista, do cinema expressionista (uma idéia na cabeça, e uma câmera na mão…), da arquitetura expressionista, da pedagogia expressionista… da Gestalt e da Gestalt Terapia…

Sempre, o artista expressionista é um artista performático, neste sentido. Não apenas nas artes cênicas, como no teatro e na dança, por exemplo. Nas artes plásticas, os escultores e os pintores são, igualmente, performáticos expressionistas. Concentrando artística e sensivelmente a vivência fenomenativa de sua inspiração, como a musculatura de uma pantera armando e presentificando o seu bote, e botando, na conformação performática, no perfazimento, de um per-feito artístico, como obra de arte. Assim, mesmo um pintor ou um escultor expressionista é performático.

Num sentido radical8, são eminente, própria, e especificamente, estésicos e
est-éticos, os performáticos expressionistas. Centram-se, e buscam adensar, a vivência fenomenal, a sensibilidade, corpo, vivido, sentidos, na vivência da configuração de seus possíveis, e de suas possibilitações; e investem-se estésicamente, o que quer dizer esteticamente, na performação vividamente vivida, e expressiva, de um per-feito como feito artístico.

A beleza e a magnanimidade, a incomensurabilidade, fascinação, graça e mistério, deste feito, a sua perfeição, advêm do processo próprio de sua feitura – específica e propriamente per-feitura. Que, essencialmente, permite e configura-se como a atualização per-feita, em sua formação e ex-pressão (ex-pulsão) plenas, de um possível; na estesia do processo de sua per/feição.

Toda a sua guiação, portanto, a guiação da perfeição e da performance, é, eminentemente, estésica; especificamente estética. A aquiescência na estética, e a vivência estésica e pré-compreensiva de uma configuração de possíveis. E a estética, e a estesia, de sua atu-ação, mais ou menos compreensiva, ou mesmo no lusco-fusco organísmico da compreensão; mais ou menos objetivativa, mais ou menos motora, mais ou menos voluntária/espontânea, mais ou menos interhumanamente inter-ativa.

A estética e a estesia de dar à luz, como feito, como perfeito – e bendito, vale dizer – algo de absolutamente singular, novo, criativo, original e belo, em sua acabada per-feição.

A vivência estética, estésica, do sentimento de beleza advém da estesia de ser-se e exercer-se à imagem e semelhança de Deus, ou de ser-se e exercer-se divino, no processo da perfeição criativa.

VIGOR, BRILHO, INTENSIDADE, FASCINAÇÃO, UNIDADE, GRAÇA

Todo este processo de feição, de perfeição, perfazimento, é, enquanto processo vivido — vividamente vivido –, processo de formação de figura e fundo. Como indicou Perls9, este processo de formação de figura e fundo tem, é, em si, a fonte da avaliação e do valor. E tem características, fenomenológico existencialmente vividas, intrínsecas e peculiares, tais como vigor, brilho, intensidade, fascinação, unidade, graça

Tais características estéticas fenomenologicamente intrínsecas ao processo de formação de figura e fundo decorrem especificamente da qualidade estésica, estética, vivencial, do processo da performance, do processo da perfeição. Que é propiciado, vivido, concluído, e avaliado, esteticamente, o que quer dizer estesicamente.

São características do processo de formação figura-fundo performático que se perdem na imperfeição: ou seja na im-per-formação. Quando a per-formação, a performance, é interrompida em sua per-feição, e resta o per-feito inconcluso, inacabado. Específica, e propriamente, imperfeito, encalacrado e interrompido, aprisionado, no processo de sua per-feição.

PERFORMANCE E A POSSIBILIDADE DO DESEMPENHO HISTÉRICO. A VIRTUALIDADE É A DOENÇA.

De um modo curioso, podem ser aparentemente próximas, ainda que decididamente inconfundíveis, a performance e a histeria.

E, a bem da verdade, o próprio Expressionismo chegou a ser acometido em certos momentos pela confusão, e pela ameaça do desempenho histérico. Que meramente simula a performance; na sua insensibilidade, e impotência, para a vivência da perfeição, e para a oferta ao mundo de algo perfeito a partir de possíveis.

A própria Gestalt Terapia, e mesmo a sua cultura, já foram afetadas pelo mal entendido. Talvez o seja menos, hoje. O risco, aliás, é corrente, na medida em que a confusão entre performance e desempenho histérico grassa, panepidemicamente, na cultura da modernidade. Certamente como uma aversão ao possível e à possibilitação, e em conseqüência de seus investimentos radicais na mímesis, na imitação e na simulação, na cultura do espetáculo e do parecer.

Creio que a advertência com relação à possibilidade da confusão entre performance e desempenho histérico já é feita no I Ching10, no Hexagrama 61. Que é representado pela pata de uma ave sobre um ovo, a chocá-lo.

Se o ovo estiver efetivamente choco, fecundado, e contiver um embrião, o choco (o ato de chocar) chegará a termo, na geração de um pintinho.

Mas, se o ovo não estiver fecundado, por mais que a ave o choque, dele não resultará um pintinho…

Suprema metáfora da ação… A ação que decorre de uma “verdade interior”, ou seja, que está em si emprenhada, impregnada, de possível, é como o desempenho, a performação, perfazimento, de um ovo fecundado. Em seu momento oportuno, dará à luz o fruto perfeito de sua novidade.

A ação que não decorre de uma verdade interior, que não se enraíza num possível e em sua atualização, não gerará frutos nem novidade, e será estéril.

O “embrião” da perfeição, e do que especificamente podemos entender como ação, como ato, como fruto e novidade – diferentemente do desempenho histérico — é a impregnação estésica e estética pelo possível, e a sua performação, perfeição, em um per-feito.

Simulação, o desempenho histérico, não está fecundado por este “embrião”, pela vivência fenomenal do possível; e pela disposição para a perfeição, para a performance, por ele alimentada e potencializada, no engendramento de um per-feito. Infenso e hostil ao possível e a sua possibilitação, infenso e hostil à novidade, à criação, à mudança, o desempenho histérico fecha-se para eles, e é comportamento estéril. Mera virtualidade.

E esta virtualidade — que se impermeabiliza para o possível, reprimindo-o, quando poderia atualizá-lo, em sua urgência e emergência, no processamento de sua perfeição –, é a doença propriamente moderna, insidiosa e panepidêmica.

Prestemos atenção, pois, a virtualidade é a doença.

Nada mais distinto, portanto do que performance estética e desempenho histérico

[]

PERFORMANCE E SENTIDO DO TRÁGICO

Uma última consideração, importante.

A de que a vivência do possível e de sua atualização na per-feição, a performance, de um perfeito, demanda eminentemente como condição a estética e a estesia do sentido trágico, tal como Nietzsche o recuperou dos Gregos antigos.

Atualização de possibilidades, eminentemente, a vivência estésica do possível, esteticamente propiciada, demanda e configura a superação da medida do estabelecido como tal, em sua individualidade; e a sua superação.

Na performance, e em decorrência da performance, nada será como antes. O preposto, e suposto, sujeito, estabelecido ao nível da realidade coisificada, desmesura-se de sua individualidade e de seu tempo próprio. Na vivência de um modo de ser que não mais comporta a dicotomia sujeito-objeto, pelo menos até o fim do processo da perfeição. Jamais será o mesmo preposto. Mudam as suas condições e o seu mundo objetivado, muda ele próprio, no engedramento da novidade do possível perfeito.

De modo que a vivência da performance, o engendramento do perfeito, na atualização do possível, determinam sempre finitudes. O sentido do trágico é exatamente a vivência compreensiva dessas finitudes, e a afirmação delas, como afirmação estética do possível e de suas forças formativas, da perfeição, da performance.

Sempre a alternativa entre a identificação com o que se fina, e declina na coisidade; ou a identificação com o incerto e aventuresco mergulho no possível e na possibilitação, como per-formação, como per-feição, dele decorrente; a identificação com a vivência estética da beleza e do belo na perfeição e no perfeito, per-formado.

Para o sentido do trágico, desde sempre e sempre, esta identificação com a vivência da potência do possível para a per-feição; a opção inquestionada pela identificação com o vigor, brilho, intensidade, fascinação, unidade, graça da perfeição e dos per-feitos

PERFORMANCE, ARTE MONÓLOGO E AMÚSICA DO ESQUECIMENTO. TOMADA DE INCONSCIÊNCIA, E DRIBLE DE CORPO NA CONSCIÊNCIA.

Em contraposição ao desempenho histérico, simulado, e dissimulado, da virtualidade, a performance, a perfeição, tem tudo da integração da arte monólogo, que se diferencia da arte diante de testemunhas, de que fala Nietzsche11, no aforismo 367 de A Gaya Ciência. Uma arte, a arte monólogo, em que o ator é todo ação, DRAMA. Arte monólogo eminentemene dialógica, ativa, fenomenoativa, experimental e poiética. Sem a possibilidade de que o ator em sua integração como tal possa configurar-se subsidiariamente como um observador de si mesmo, enquanto re-primiria a força do possível, e a sublimaria…

Tudo o que se pensa, escreve, pinta, compõe, ou seja, tudo o que se esculpe e constrói, revela ou da arte monólogo ou da arte diante de testemunhas. (…) Não conheço ópticas mais separadas do que a do artista que observa a elaboração de sua obra (quer dizer, se observa a ele próprio) com o olhar de uma testemunha; e a do artista ‘que esquece o mundo’: este esquecimento é a essência de qualquer arte monólogo; a arte monólogo assenta no esquecimento, a arte monólogo é a música do esquecimento.”“.

A característica do esquecimento é essencial à performance estética, e tema caro à filosofia da vida de Nietzsche. Isto porque, o que muito nos interessa, o processo da perfeição, a performance, em sua concentração fenomenativa, caracteristicamente instaura um esquecimento, é momentum de esquecimento. De modo que o esquecimento é mesmo uma condição específica de sua momentaneidade.

Nietzsche investe, a marteladas, contra a supervalorização da consciência. Um erro a supervalorização da consciência, diria ele, supervalorização que é da ordem do reativo, e não do ativo. A supervalorização da consciência constitui-se em supervalorização da memória, e supervalorização da história.

No âmbito desta supervalorização, proscrita a possibilidade do modo de ser do esquecimento, fenece miseravelmente a potência do modo de ser possível, e da possibilidade da performance estética que ela pode engendrar.

No sentido da garantia das condições da vivência perspectivativa, estética, performática, do possível, e de sua possibilitação, Nietzsche12 dirá:

(…) De fato, está mais do que no tempo de avançar contra os descaminhos do sentido histórico…

O homem teria de ler (na história) assim como Goethe aconselha que se leia o Werther: como se ela clamasse, ‘sê um homem e não me sigas!’13

Mais importante do que seguir a história é performá-la. E condição essencial da performance, do momento propriamente performático, é esta estética monólogica, retifica e ativa do esquecimento.

Todo agir requer esquecimento (…) Portanto é possível viver quase sem lembrança, e mesmo viver feliz, como mostra o animal; mas é inteiramente impossível viver sem esquecimento, simplesmente viver. (…) há um grau de insônia, de ruminação, de sentido histórico, no qual o vivente chega a sofrer dano e por fim se arruína, seja ele um homem ou um povo ou uma civilização.14

nas menores como nas maiores felicidades é sempre o mesmo aquilo que faz da felicidade felicidade: o poder esquecer ou, dito mais eruditamente, a faculdade de, enquanto dura a felicidade, sentir a-historicamente.15

E possa ser assim entendida e ponderada minha proposição: ‘a história só pode ser suportada por personalidades fortes, as fracas ele extingue totalmente’.16

Nesses efeitos, a história é o oposto da arte: e somente quando a história suporta ser transformada em obra de arte e, portanto, tornar-se plena forma artística, ela pode, talvez, conservar instintos ou mesmo despertá-los.17

1 v. FONSECA,

2 HOUAISS,

3 HOUAISS,

4 HEIDEGGER, M.

5 HOUAISS,

6 Expressionismo

7 Expressionismo

8 De tomar pela raiz, como diria W. Reich.

9 PERLS,

10 I Ching

11 Nietzsche, F, Gaia Ciência. Lisboa, Guimarães e Cia Editores, 1984. p. 276.

12 NIETZSCHE, F. PENSADORES, p.69.

13 Ibid.

14 op.cit. p 58. Grifo nosso.

15 Ibid.

16 op.cit. p 64.

17 op. cit. p 65.

La gestalt tra estetica e spiritualità

di Angelo Contarino

Pubblicato sul numero 16 di Formazione IN Psicoterapia, Counselling, Fenomenologia

 

In genere si dice che l’azione del terapeuta, dell’operatore della relazione d’aiuto, dell’amico che ascolta, è tesa a far sì che la persona conosca il suo mondo interiore e possa operare per il suo bene, perché le cose funzionino meglio e  sia più felice.
Con altre parole, prese dal linguaggio della filosofia, si potrebbe dire che chi aiuta deve avere nozioni ed esperienza nel campo della conoscenza(logica-gnoseologica e dell’etica. Del conoscere e del fare.
E il sentireE il percepire?
Chi può aiutare a sentire in un altro modo, ad ampliare la propria percezione di sé e degli altri, a percepire oltre i propri occhiali, a fare attenzione alla forma oltre che al contenuto, al silenzio tra una nota e l’altra della vita e allo spazio che le contiene?
Molti dei nostri problemi derivano proprio dal modo in cui percepiamo le cose e dal modo in cui immaginiamo una soluzione.
Ci può essere cambiamento senza la maturazione di una nuova percezione, di un nuovo punto di vista, di un nuovo sentire?
Questo tradizionalmente sarebbe un campo dell’estetica e della spiritualità, che tanti contatti hanno tra di loro, ma si può ben dire – e opportunamente Paolo Quattrini ci richiama l’attenzione su questo – che alcuni problemi da risolvere hanno una connotazione estetica e che  la dimensione estetica è altrettanto importante delle altre due: la logica legata alla conoscenza e l’etica relazionata con il buon fare.
Fare attenzione alla dimensione estetica della vita significa affinare le proprie “lenti” di essere umano e operatore nella relazione d’aiuto.
A me pare che la profonda,“archeologica”, e originale riflessione di Paolo Quattrini non solo consente di seguire e comprendere il sorgere della Gestalt nel contesto filosofico, scientifico ed artistico in cui è incastonata, ma, tenendo sempre presente la sua dimensione estetica, è un prezioso veicolo per intendere il valore centrale dell’ars imaginativa nel processo di restauro e/o ricostruzione dell’edificio umano per elevare la qualità dell’esistenza.

La qualità della vita è fatta di funzionalità ma anche di godimento estetico.
Se uno dovesse immaginarsi un posto comodo in cui vivere se lo immaginerebbe spontaneamente anche bello.

In un racconto orientale si dice che lungo la via commerciale che da oriente conduceva ad occidente passavano lunghe carovane di cammelli che portavano, tra le molte cose, anche sacchi di thè.
Molta gente aveva visto le preziose foglioline e pensava di sapere che cosa fosse. Quando finalmente un gruppo di persone decise di provarla e ne sentì il gusto allora comprese che cosa fosse. Non era questo, non era quello e nemmeno quell’altro, ed aveva un gusto inconfondibile. Per conoscere in profondità bisogna anche gustare, sperimentare, assorbire.
Il senso di piacere che resta sul palato di chi assaggia il thè parla di qualcosa che è diverso dal bene che se ne può ricavare per l’organismo, anche se è intrecciato ad esso. Va oltre l’etica -lo prendo perché  mi fa bene-  e va oltre la classificazione logica. Il gusto è imparentato con il bello e  può andare oltre la funzionalità e la logicità. La  dimensione del gusto, del sentire un certo sapore, dell’apprezzare il bello, dell’ascoltare i suoni e quant’altro nobilita le nostre percezioni sensoriali e il nostro organismo, è parte importante dell’estetica.

Immagino – perché nella storia non si racconta – che un giorno passò un individuo, che fermandosi nel villaggio, invitò alcuni amici a prendere il thè, ma questa volta lo servì in maniera cerimoniale.
Ispirato da un sentimento nobile di amicizia e da un senso non lineare del tempo, dedicò una particolare attenzione a tutti i gesti che costituivano il momento del bere il thè: la preparazione dell’acqua, della teiera e delle tazze, del modo di servirlo, di stare seduti, di star bene tra di loro e di sorbirlo. Invitando a scoprire altre scansioni del tempo e dello spazio. Proponendo un’altra forma di prendere il thè.
Immagino che quel thè di cui già si conosceva il gusto lasciò in bocca un altro gusto o completò il gusto conosciuto e rivelò la sua “essenza”.  Divenne una conoscenza intima, un sapere, basato sulla grande esperienza del sapore in un contesto di maggior apertura sensoriale ed emotiva. Divenne un’esperienza dai contorni spirituali.
La dimensione estetica, come quella spirituale a cui spesso è associata, è una dimensione sottile: è la dimensione dell’essenza delle cose, della loro “anima”.

E’ più difficile parlarne perchè mostra e parla di modi e di esperienze che non si possono esprimere secondo la logica abituale.
La Gestalt pretende di parlare anche all’essenza della persona, e questo le dà una connotazione  estetica e spirituale. Non è solo il fatto che spesso utilizza metodi e strumenti che sono del mondo artistico-creativo e  spirituale. La Gestalt insegna all’essere umano a restare in contatto con la sua essenza, la sua “anima”.

La parola estetica rimanda etimologicamnete alle sensazioni -aisthetikòs significa sensibile– a quell’infinito, intimo e sottile repertorio di tracce e segni che la complessità dell’organismo intercambia con se stesso e con l’ambiente.
Gestalt, estetica e spiritualità, in effetti,  fanno particolare attenzione alla materia sensoriale e alle percezioni, ai sapori e li nobilitano perché colgono in essi  un’esperienza basica della vita: il respiro, il movimento, la forma, il gusto, il modo di essere e di esprimersi, la congruità tra il sentire e l’agire.

Tempi, attenzione, accoglienza, spazio, fanno parte sia dell’estetica, sia della spiritualità, sia della gestalt, come di tutte quelle cose vive che si intendono preservare dal monotono grigiore della vita quotidiana.
Non accontentarsi del superficiale, andare oltre, cogliere l’essenza delle cose, aspirare all’autenticità, sfiorare il senso del sacro e approfondirlo sono caratteristiche di tutte e tre.

Nel “teatro povero” di Grotowski l’azione organica, ispirata, che nasce da dentro e quindi autentica, coglie la dimensione estetica, che è  il suo modo specifico di raggiungere il pubblico. Autenticità e grazia, spontaneità e bellezza si intrecciano e si confondono. Se ne riconosce implicitamente la stessa origine.
Nelle tradizioni spirituali vive, la comunicazione dell’esperienza può avvenire attraverso pratiche giocose o artistiche, entrambe di grande valore estetico, come nel buddismo zen, il sufismo, il taoismo e il cristianesimo dei poveri di spirito. La stessa pratica della meditazione e della preghiera ha un suo valore estetico.
La dimensione estetica è sempre lì presente, a portata dei sensi, ci è vicina ma non riusciamo a coglierla, occupati come siamo dal bisogno di sbarcare il lunario o di integrarci di più in una società che ha rinunciato alla felicità.
Essa ha bisogno di tempi diversi da quelli ordinari, di una percezione del respiro proprio e degli altri, di uno spazio per il sentire e il gustare, di silenzio, di vuoto.
La dimensione estetica, come l’etica, è legata ai due principi complementari  del “solve et coagula”: il principio di dubitare e togliere ciò che non è così vitale e significativo per l’esistenza umana e quello del contare e affidarsi a ciò che è essenzialmente organismico.
Mentre dunque si valorizza quanto è stato ed è frutto di un’esperienza piena, allo stesso tempo si chiede la disponibilità ad abbandonare le certezze e di spogliarsi, dal punto di vista esistenziale oltre che teorico, di tutto ciò che si sente superfluo e inutile, lontano dalla vita.
Nessun artista è tale perchè aderisce ad una solida teoria estetica. Senza negare l’importanza dei modelli, delle esperienze precedenti, il fatto artistico, che è tale perché assume valore per chi lo compie e per chi ne fruisce, fa affidamento su  un fattore esistenziale, di ricerca, creatività e di trasformazione personale.
Pur apprezzando i modelli estetici che hanno costituito la storia del “bello”, non può esserci  identificazione con nessuno di essi, perché ciò che può essere definito bello è visto in relazione alla persona, al suo momento, al processo, alla situazione e alle dinamiche più grandi.
Il nuovo umanesimo del secolo scorso, con la sua riscoperta del valore dell’uomo, della relatività, del corpo e dei sensi è servito a maturare anche  una nuova idea di “bello”, più aperta e flessibile, che ha superato quella assoluta e tradizionale derivata dal passato.

L’estetica è pertanto legata alla creatività e alla sperimentazione.
Anche  la Terapia della Gestalt è un processo sperimentale, che assomiglia più ad un laboratorio artistico che a quello scientifico.

 

Si creano, nella relazione d’aiuto, e senza pretenderlo, nuove forme, nuove visioni, nuovi orizzonti esistenziali che espandono e completano l’esistenza individuale e collettiva e la rendono più consapevole e bella.
L’accettazione di sé, l’integrazione delle parti, produce spesso una sostanza simile alla bellezza anche esteriore. E’ la magia della presenza, frutto della completezza dell’esserci e della sua spontanea manifestazione.
In realtà un organismo ben integrato non solo funziona meglio ma appare anche più vitale e bello.
La manifestazione autentica ha una sua forza, una sua grazia, una sua bellezza. La congruità tra l’espressività e l’impulso organismico produce una grazia particolare, un profumo personale.
Nel teatro di Grotowski si attende l’azione organica, che fluisce dall’organismo e quando accade ci si accorge della sua bellezza oltre che della sua forza.
La “povertà” del teatro di Grotowski è da relazionare allo spogliarsi degli elementi inutili, falsi, automatici e ridondanti dell’azione teatrale e dell’agire umano.
Il processo organismico non si può dare senza la complementare azione del levare, del destrutturare, del vuoto.
Ma il vuoto a cui ci si riferisce non è da intendere come vuoto in sé, il nulla assoluto, quanto piuttosto come vuoto fertile. In sintonia con le tradizioni spirituali orientali, si tratta di un vuoto che ha come riferimento il suo opposto, il pieno .
L’esserci spesso non è così pieno, si ritaglia uno spazio di sterile esistenza e solo il collegamento all’essere lo può vivificare. Ma questo collegamento richiede un abbandono dei punti di sicurezza, degli orizzonti conosciuti e invita ad un attraversamento del vuoto.
“ Io non mi sento più sicuro di niente. Molte delle mie convinzioni passate ora le metto in dubbio… Ho capito bene quanto sono piccolo nell’universo e che ne rappresento una piccola parte”. Belle, preziose, queste  parole mi sono sembrate quando le ho sentite pronunciare  in un recente convegno di Gestalt a Trieste da Sergio Mazzei, uno dei primi e apprezzati gestaltisti italiani, che ha colto e proposto sempre la dimensione sottile, spirituale, dell’incontro umano anche nel campo psicologico.
Mi sembrano il segno di un percorso di ricerca umana e spirituale che percepisce nel campo delle relazioni, nella mancanza di esistenza in proprio, nel vuoto fertile, il tessuto connettivo della vita.
Il vuoto fertile coglie  il senso  del processo, della “impermanenza”, per cui tutto passa e tutto si trasforma, una composizione in cui l’individuo è la tessera di un mosaico biologico naturale in evoluzione. Il divenire individuale è in relazione non solo alle relazioni orizzontali, con gli organismi degli altri sistemi – famiglia e i diversi gradi di ambiente fisico e affettivo-  che in qualche modo lo compongono e strutturano, ma anche alle relazioni verticali, con quanto lo ha preceduto sia a livello biologico che psicologico. Il vuoto fertile è in relazione al principio della relatività universale e quindi dell’interconnessione universale. 
Accettare l’unità della vita nelle sue profonde diversità, percepire che l’uomo e la natura non si possono separare, che l’uomo è natura in evoluzione, dotato di organi sottili ma anche  di tessuti meno specializzati e quasi materiali, come le unghie e i capelli, ci può condurre al superamento di quel pregiudizio esistenziale e intellettuale che l’uomo è quello che deve domare la natura e piegarla ai suoi fini, può facilitare la trasformazione della percezione che l’uomo e l’umanità siano separati da ciò che li circonda, può far fecondare la percezione di un sé interconnesso, meno granitico ma più fluido e vitale.  Un sé difficile da definire in se stesso, visto che la sua natura è di essere relazione, in relazione spazio-temporale. Dal punto di vista etico ricordare tale origine  significa esaltare la dimensione del “noi”, dell’essere in connessione con le persone e gli esseri della natura. Significa accogliere il concetto di un essere di relazioni al suo interno, in relazione con l’ambiente. Edgar Morin la definisce “relianza”. “Relianza con un altro, relianza con una comunità, relianza con la società, e al limite con la specie umana.” 
Significa comprendere che non esiste beneficio esclusivamente individuale e che la propria azione avrà mille risvolti e conseguenze nel grande mare della vita. Significa dunque essere consapevoli della dimensione ecologica dell’azione e della sua congruità con l’ambiente.
Dal punto di vista estetico significa che il nostro fare creativo, artistico, la manualità e la conoscenza, la stessa creatività sono frutto di tracce e percorsi diversi che si incontrano e si separano a diversi livelli e dimensioni e che pertanto si possono aprire agli influssi di qualsivoglia elemento estetico universale. A condizione che non sia giustapposizione e citazione ma rielaborazione essenziale e personale.

Il vuoto fertile è la condizione della dimensione estetica, di quella spirituale ed anche della Gestalt. Corrisponde al levare i veli di maya, alla sperimentazione, alla ricerca, allo stile personale e autentico, alla leggerezza dell’essere.
Nello Zhuangzi si fa spesso riferimento alla forza del vuoto: “ L’artigiano Shui torniva oggetti così perfetti che sembravano disegnati con il compasso e la squadra; il suo dito seguiva la forma delle cose senza che la sua coscienza intervenisse. Giungeva a simile abilità perché la sua anima, concentrata, era libera da ogni ostacolo”. 
Si può scorgere in tale frase un riflessione sul vuoto : non c’è bisogno di mezzi sofisticati, “occorre seguire la forma delle cose e  fare il vuoto dentro di sé, aiutandosi con la concentrazione”. 
Il silenzio e le varie forme di meditazione sono il giardino dove cresce bene il vuoto fertile, che ha per sua natura la forza della fecondazione e  diventa  principio di creatività nell’individuo e nella sua opera.
Prendendosi cura del proprio giardino si alimenta la tensione continua e spontanea verso la creazione di nuove forme e visioni, lo spostamento degli orizzonti, il richiamo all’autenticità, l’aspirazione alla completezza e alla integrazione armonica. Alla bellezza.

Le pratiche meditative sono spesso basate sul respiro e sulla percezione corporea, sul silenzio e l’ascolto, sull’orientamento spontaneo della propria bussola interna verso ciò che c’è ma non si vede, verso un mondo di possibilità, verso la potenzialità, verso il di più che si può cogliere in tutte le cose. Il “di più” è ciò che ha dato etimomologicamnete origine alla parola magis, da cui magia.
Il mondo della meraviglia, della sorpresa, dello straordinario.
E’ il mondo dello sciamano, egli stesso uomo comune ed artista, che cura se stesso ritornando alle sue origini, le nobili origini dell’essere, che si ricongiunge con la sua anima, a cui lui presta il suo corpo, la sua sensibilità, la sua percezione.
E dal corpo nasce un altro corpo, artistico, attraverso strumenti che sono corporei.
Nasce l’arte. Figlia di una sofferenza che trova accoglienza e che è distillato della dolcezza che la contiene. Figlia anche del godimento e della felicità che trova uno spazio caldo d’accettazione.
Lo sciamanesimo è la prima forma che l’umanità si è offerta di prendersi cura di sé e contemporaneamente la prima manifestazione estetica.
La terapia della Gestalt ha questa esperienza nel suo bagaglio genetico, nel suo back ground culturale.
Perls aveva la facies interna dello sciamano, lo sapeva lui e glielo riconoscevano quelli che gli stavano intorno. Nel suo periodo californiano, il suo operare da vedente, da guaritore delle anime, lo mise in contatto con altri che come lui avevano lo stesso dono.
In un certo senso dire che lo sciamanesimo è nel codice genetico della Terapia della Gestaltsignifica che continua ad esistere oggi, sia per l’operare di quelli che ne continuano a trasmettere l’esperienza sia perché nell’alveo grande della Gestalt c’è l’atmosfera adatta perchè tali talenti sorgano spontaneamente e siano accolti con benevolenza.

Nell’ampio orizzonte della Gestalt, il lavoro di Claudio Naranjo l’ho sempre percepito come  teso a ricordare e vivificare l’esperienza di trasformazione propria dello sciamanesimo, insieme a quella delle tradizioni spirituali.
La finalità è la stessa.
L’aspetto transpersonale della psicologia che Naranjo permette di sperimentare nei suoi corsi di formazione continua la linea di Perls e la arricchisce.

La proposta delle pratiche meditative e di fermento energetico, l’ambiente caldo che Claudio Naranjo riesce a generare attraverso di esse, creano il contesto di quieta profondità che permette ai partecipanti di venir fuori con il loro tumultuoso esserci e di accoglierlo nel suo manifestarsi.
Il conflitto si può manifestare nella fiducia del ristabilimento dell’equilibrio organismico.
La dimensione dionisiaca della vita si raccorda con quella apollinea.
Il vitale, con i suoi aspetti convulsi, impulsivi, sacrificati, tormentati, gioiosi, esaltanti, senza speranza, è accolto da uno spazio di benevolenza e amore.
Il mosaico di esperienze che Naranjo propone come complementari all’esperienza meditativa e spirituale sono di origine creativa ed artistica. La stessa pratica della Terapia della Gestalt, uno dei molti ingredienti dei SAT, riscatta “l’eredità californiana”, sensibile più che alle tecniche al sentire intuitivo dell’operatore. Un sentire che può divenire risorsa nel proprio lavoro e filo rosso di una trasformazione personale e collettiva a cui è si fa sempre spazio.
La qualità della vita richiede la soddisfazione di tanti bisogni, da quelli elementari, basici, di una sana e sufficiente alimentazione – che sono ancora dolorosamente lontani per una parte significativa dell’umanità – a quelli di una realizzazione nel campo estetico e spirituale.
Se immaginassimo, si è già detto, un posto dove vivere felici faremmo attenzione oltre che alla sua funzionalità anche alla bellezza e alla pienezza dell’esistenza.
Etica, estetica e spiritualità non si possono separare.

Le pratiche spirituali (le varie forme di  meditazione, le pratiche di silenzio, la preghiera recitata e immaginativa, danze e arti di rilassamento e concentrazione, movimenti ispirati) di tutte le tradizioni spirituali vive sono la culla e il collante della varie dimensioni dell’esistenza.
Di tutte si dice che sono una cosa misteriosa, ineffabile –  ed è importante avventurarsi nel loro mare sotto la guida di un istruttore, un maestro – ma si può provare a dire qualcosa.
Può sembrare strano che una cosa che mira a realizzare stati di consapevolezza elevati si poggi, per lo meno inizialmente, su uno star seduto, un fare attenzione al respiro, un attivare le sensazioni corporee, un gustare il semplicemente stare, un ricordarsi di avere un corpo e di sentire il processo vitale che si svolge nell’organismo.

In un racconto sufi si dice che per fare un buon pane c’è bisogno di tre elementi: molta farina (grano macinato), una buona dose d’acqua pura (da andare a prendere alla fonte) e un poco di sale (ben depurato). Si fa intendere, metaforicamente, che l’uomo è fatto nello stesso modo: ha un corpo, il grano in buone quantità; emozioni fluide come l’acqua; poco sale ne esalta il sapore. Ma sembra che gli uomini se lo siano dimenticato e si credono frutto di una ricetta in cui gli ingredienti hanno proporzioni invertite.
Ha molto sale in zucca, emozioni stagnanti e contaminate, e poco e niente corposità. Sale per niente depurato dalle incrostazioni dei pregiudizi e le idee folli, emozioni spesso ereditate e tossiche, e poco supporto corporeo, scarsa sensorialità, poca intelligenza corporea, istintiva.

La prima cosa che fa la meditazione, al pari delle altre pratiche, è ristabilire le proporzioni. Ci si ricorda, come ce lo ricorda il nostro codice genetico, che siamo esseri senzienti, con un passato e un presente di istintività e animalità,  con  respiro e un processo organismico naturale. Si prende contatto con la meraviglia di un essere senziente che funziona bene da solo e che ha una sua bellezza. Si scopre che il corpo è intriso di energia, che esso è animato e che ha una sua matura intelligenza.
E’ come diventare più grandi. Dalla testa che pensavamo di essere possiamo recuperare un enorme territorio che è il nostro.
Possiamo cominciare ad abitare la nostra casa, sentirci bene nella nostra pelle, a sentirci respirare ed essere.
Tutto questo lascia un gusto.
Si sperimenta insieme alla sensazione  di qualcosa di buono, la percezione di qualcosa di bello, di sorprendente, di elegante.
Senza negare le difficoltà di stare seduti o in piedi come nel Tai Chi Chuan ed altre pratiche meditative in movimento, la scoperta che il nostro tessuto vitale e energetico è così ampio e la sua integrazione nel nostro vissuto esistenziale può essere un’esperienza profonda ed ispiratrice.
Come lo può essere l’ascolto meditativo della musica.

Nel teatro sperimentale la preparazione psico-fisica è fondamentale, e in un certo senso prevalente rispetto alla stessa attuazione.
Quello che si ricerca nella preparazione è la presenza: l’attore sente la sua presenza, ed anche il pubblico.
Abitare tutto il corpo, sentirsi respirare fluidamente, sentire se stesso nello spazio, concedere spazio a sé e agli altri, permettere che nuove impressioni arrivino alla coscienza, restare recettivo e offrirsi all’esperienza, anche a quella del personaggio, è segno di presenza.
La presenza è una qualità dell’essere: il gatto ha la sua presenza, ce l’ha anche un fiore naturalmente, le montagne hanno presenza, l’uomo ce l’ha ma si dimentica di Sé e in questo dimenticare la presenza s’adombra.

La presenza per manifestarsi  ha bisogno una relazione con il tempo e lo spazio diversa da quella abituale. 
Cherif Chalakani, un riconosciuto terapeuta della Gestalt, che sintetizza un ampio bagaglio di esperienze, che vanno dal lavoro bioenergetico a quello musicale, come uno sciamano moderno, nei suoi “lavori corporei”, insegna percorsi per ricontattare la presenza, per riscattare l’anima,  e dice sorridendo che l’anima ha bisogno di un tempo indio.
L’ho sentito raccontare spesso la scena di un film – ma è così anche nella realtà – in cui le guide del vulcano messicano del Popocatepetl si fermano spesso nella scalata della montagna, molto di più di quanto gli scalatori professionali vorrebbero fare. Alla loro domanda “perché tante soste”, rispondono “per dare tempo all’anima di raggiungerci”.
L’anima ha i suoi tempi, certamente diversi per ognuno, perché è collegata alla capacità d’attenzione nell’esistere. Se non si pone  attenzione la sua fiamma si spegne.
Si tratta di un’attenzione priva di tensione, che non tende a controllare, di un’attenzione panoramica che espande la percezione ed è accogliente. Lascia che le persone e le cose si presentino, si manifestino.
La presenza ha a che fare con la sensazione di essere e  il sentimento  di essere vivo.
Ha bisogno di uno spazio ampio, accogliente, ricettivo, uno spazio più grande del sé e del noi.
Ha bisogno di varcare la soglia dello schema corporeo e sensoriale con cui spesso ci identifichiamo, non si sente ben accolta in un ambiente di fissazioni e ristrettezze emotive, essa è intimamente legata allo spazio delle possibilità e del fluire dei sentimenti, non si sente in sintonia con il  “cri cri” del grillo parlante, ha bisogno di un’altra musica, che abbia un altro tono e un’altra profondità, che evochi territori essenziali con cui ricongiungersi.

L’anima e la presenza non si possono incasellare e richiedono una disponibilità ad andare oltre, altrove, una disponibilità alla meraviglia del viaggio, al brivido  del volo, al dolore della ferita che si pulisce, a vincere la paura del vuoto dietro cui ci potrebbe essere il pieno che non si conosce; richiede una disponibilità a farsi guidare dal suo sentire profondo.
La presenza  è il focolare  dell’ispirazione,  quel sentire tanto sottile che vuole essere coltivato con molta attenzione. E’ come un vento leggero che spira e guida.
L’artista ne ha tanto bisogno, come il terapeuta e il ricercatore, prima di tutto per se stesso.
Si può chiamare in tanti modi, come tante sono  le sue  sfumature (insight, intuizione, intelligenza istintiva, intelligenza emotiva, ispirazione) ma si tratta sempre dello stesso alito che proviene dalla parte più vicina a noi, spesso trascurata.

L’ispirazione, la chiamata, la voce che suggerisce e  comanda, che accompagna il ricercatore spirituale, sostiene anche l’artista e il terapeuta: l’artista la infonde nell’opera per completarsi, sanarsi, sperando che possa servire ad altri, il terapeuta, il counsellor crea con la sua presenza lo spazio e il tempo opportuni affinché esseri umani che soffrono o sono semplicemente disorientati, disadattati, la riscoprano dentro di sé. E facciano della loro vita, del loro semplice quotidiano, un’opera creativa e in qualche caso artistica.

 

 

 Bibliografia

Joseph Zinker, Processi creativi in psicoterapia della gestalt, Franco Angeli, 2002

Jerzy Grotowski, Per un teatro povero, Bulzoni editore,1970

Giangiorgio Pasqualotto, L’estetica del vuoto, Marsilio, 1992

Edgar Morin, Etica, Raffaello Cortina Ed., 2005

Zhuang-zi, XIX, Milano,1980

Giangiorgio Pasqualotto, L’estetica del vuoto, Marsilio, 1992