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Interpretando Max Reinhardt

afonso da fonseca

Di Afonso H. Lisboa da Fonseca, psicólogo.

O que intentava max rheinhardt? O que com ele aprendeu Perls e a Gestalt Terapia?

Para quem estuda a Gestalt Terapia, não terá certamente passado despercebido a marcante influência na formação de Fritz Perls da presença de Max Rheinhardt. Max Rheinhardt, no entanto, não chega a ser nem um ilustre desconhecido entre nós: é meramente um desconhecido. Apesar de sua influência fundamental no desenvolvimento do teatro e do cinema, em especial do teatro e do cinema expressionistas, nas primeiras décadas do século XX, na Alemanha; e da seminal importância de suas concepções no desenvolvimento da concepção e método da Gestalt Terapia.

Fritz Perls e Max Reinhardt são produtos de um mesmo tempo, de um mesmo momento histórico e cultural. Ou seja, a Berlim dos inícios do século XX, até a década de 30, mais especificamente 1933. Perls participou do empreendimento teatral de Rheinhardt, em especial do desdobramento de suas idéias revolucionárias com relação ao teatro. Desde os quatorze anos Perls participou de atividades teatrais inspiradas nas concepções de Rheinhardt, e estas tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da concepção e método da Gestalt Terapia, por parte de Fritz Perls.

Max Rheinhardt nasceu Maxmilian Goldmann. No início da juventude, quando começou a lidar com teatro, mudou o seu nome. Tendo estudado economi e finanças bancárias, abandonou o ramo das finanças, para dedicar-se de corpo e alma ao teatro. Foi diretor de teatro, intérprete e importante proprietário de teatro na Alemanha e na Áustria anterior no nazismo. Sobretudo, foi um teatrólogo, revolucionando, no sentido da modernidade e do teatro expressionista, as concepções do desempenho e da representação teatral. Concepções que prevaleciam, até então, desde o Renascimento.

Fundamentalmente, o teatro naturalista de Max Reinhardt, que será uma influência fundamental no desenvolvimento do teatro e do cinema expressionistas, buscava a coragem na expressividade e interpretação da singularidade pessoal. Reinhardt abandonou a perspectiva de todo Realismo, em direção ao Expressionismo. Ou seja em direção a uma interpretação que se centrava no privilégio da vivência subjetiva, e na sua expressividade performática, sem uma submissão à reprodução de uma realidade objetiva.

Ao mesmo tempo, Reinhardt buscava reduzir, num sentido literal e prático, o espaço entre o ator formal e o público, entre o palco e a platéia. Num de seus teatros, Reinhardt estudou e operacionalizou concepções do palco que o situavam no âmbito da platéia, e que facilitava efetivava a comunicação entre os atores e a platéia, e facilitava a expressividade dos espectadores, que, enquanto tais, deixavam de ser passivos para se constituírem como atores e artistas, intérpretes.

Rheinhardt participava do desvelamento do caráter ilusório da realidade objetiva do Positivismo. E, em particular do primado do princípio de realidade. Reinhardt participava, em particular, do desvelamento das implicações eminentemente destrutivas e esterilizantes do radicalismo da submissão à realidade objetiva. Mais especificamente, da subordinação do existencial à ilusão da realidade objetiva e de suas demandas. Muito particularmente, na medida em que o existencial não é da ordem da realidade, mas é, fortemente, e no que lhe é essencial, da ordem do movimento e potência do possível e da possibilitação. Ao mesmo tempo em que não é, o existencial, da ordem das relações sujeito-objeto, subjetividade-objetividade, ou da ordem das relações de causa e efeito, ou da esfera da utilidade.

Neste sentido, Reinhardt comunga do ethos expressionista de conferir toda atenção à perspectiva do vivencial, destronando e absolutamente relativizando, o radicalismo realista, por sua impertinência e impropriedade existencial. Impertinência e impropriedade em termos de sensibilidade, de criação, de criatividade, e das forças trágicas da alegria.

Na medida em que buscava reduzir, e mesmo eliminar, a distância entre atores e espectadores, a distância entre o palco/atores e a platéia/público, Rheinhardt militava experimental e poderosamente pela idéia de que a arte cênica não é uma arte apenas de artistas formais, não é meramente uma arte do palco. Na verdade somos, todos, efetivamente atores e artistas, e carecemos fundamentalmente de exercemo-nos efetivamente como tais. Uma vez que esta condição constitui-se como a qualidade básica da existência e da condição humana.

Somos ontologicamente intérpretes, hermeneutas, num sentido fenomenológico existencial. A existência é fundamentalmente impregnada, e demandante, assim, de teatralidade. E só existimos efetivamente, na efetividade da existência, na medida em que nos arriscamos a assumir a nossa vivência mais particular, absolutamente singular, o seu caráter propulsivo, a sua potência e projetatividade — que, como tal, quer constituir-se em expressão — e efetivamente a expressamos/interpretamos.

Das concepções de Reinhardt, via Perls, a Gestalt Terapia herdou a disposição de um terapeuta intérprete experimental de sua vivência imediata (não conceitual, não técnico, não científico, nem comportamental). Como modo de mobilização e potencialização dialógica do cliente como intérprete, ator e artista dos vetores da dramática de sua existência, em específico de suas possibilidades e possibilitações.

A Gestalt Terapia se posta fundamentalmente na perspectiva de que a característica da existência, inclusive, e em particular na resolução de questões e dificuldades existenciais, deriva do fato de que somos intérpretes experimentais do desdobramento de nós mesmos, de nossas vividas possibilidades de ser, na propulsividade e modulações que lhe são próprias.

De modo que toda a concepção e método da Gestalt Terapia direciona-se praticamente no sentido de potencializar o cliente como intérprete do processo de constituição/superação de sua própria singularidade e singularização, nas condições de sua atualidade e atualização. No sentido da expressividade de suas questões existenciais, da resolução e superação destas. No sentido de potencializar o cliente como criador, intérprete, ator e artista.

Reinhardt desenvolveu o seu fecundo trabalho como teatrólogo, diretor de teatro, ator, e proprietário de vários teatros, inicialmente na Áustria, e depois na Alemanha, Berlim. Até que, com o desenvolvimento do nazismo, teve os seus bens confiscados, e foi obrigado a fugir da Alemanha. Tendo ido para os Estados Unidos, prosseguiu sua atividade teatral, dirigindo representações de autores clássicos, e de autores expressionistas, e com sua atividade cinematográfica. Um de seus filhos, jurista, foi escolhido para a Suprema corte dos Estados Unidos pelo presidente Jimmy Carter.

Vislumbre-e-ato do possível propulsivo Dialógica e arte dramática da improvisação

afonso da fonseca

Di Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.

Sobre o sentido e importância do improvisativo na concepção e método da Gestalt Terapia e da Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico Existencial

Laboratório Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico Existencial.

Os segredos da arte da espada consistem na criação de uma certa disposição mental que se faz sempre pronta para responder instantaneamente, quer dizer, i-mediatamente (…). Na medida em que o treino técnico é de grande importância,ele é, no final de contas, algo de acrescentado e adquirido artificialmente, conscientemente, calculativamente. A menos que a mente que se vale da habilidade técnica sintonize-se com um estado de máxima fluidez e mobilidade, qualquer coisa adquirida ou superimposta perde a espontaneidade do desenvolvimento natural. Este estado prevalece quando a mente está desperta para o satori. O que quis o espadachim foi fazer com que a disciplina se ativesse a esta concepção. Esta concepção não pode ser ensinada por nenhum sistema especialmente desenvolvido para este fim, ela deve crescer de dentro simplesmente. Na verdade, o sistema do mestre não era de fato um sistema no sentido próprio do termo. Mas existia um método “natural” em sua aparente loucura (…).
D.T Suzuki in ZEN AND JAPANESE CULTURE.

Gestalt Terapia — e qualquer abordagem fenomenológico existencial — tem a improvisação, a soberania da valorização do momentum improvisacional, como uma de suas características fundamentais.

Fundamental porque, em particular, é a im-pro-vis-ação –, este modo de ser ativo, que provê um vislumbre (Heidegger diria pré-compreensão) do possível e da possibilidade de seu desdobramento –, uma condição básica da perspectiva existencialista, da ontologia, da fenomenologia existencial, da concepção e método da Gestalt Terapia e de uma abordagem de psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial. Grosso modo, o empirismo do vivido fenomenal é e permite a improvisação, como âmbito dialógico no qual o possível, o ato, a ato ação, se vislumbram, são possíveis e, efetivamente, se desdobram.

Daí ser interessante qualificar o que significa, e a importância, desta característica da improvisação na fundamentação filosófica, concepção e método da Gestalt Terapia e das abordagens fenomenológico existenciais de psicologia e psicoterapia..

Nos círculos sérios e respeitáveis, moralistas em geral, a idéia em geral de improvisação é vista com um respeitável e sério balançar de cabeças, olhares reprovadores, bocas tronchas e risos sarcásticos…

E, diga-se de passagem, não há como não concordar, diante do sentido da “improvisação” num sentido vulgar e pobre: não estar preparado, não estar pronto diante de uma tarefa assumida. E “improvisar”, como lançar mão de capacidades ou recursos impróprios, inadequados, limitados, insuficientes para a responsabilidade que se tem diante, e para a qual não se teve o cuidado de se preparar, ou de saber, ou não, se podia estar preparado…

É certamente por isto que num certo momento o I Ching comenta, “…tudo que importa é estar preparado…”

De passagem, também se diga, que é uma soberba forma de incompetência o recurso habitual, mecânico, ao premeditado, ao comportamental repetitivo, aí incluído o técnico, ou ao reflexivo evitativo, quando a ação é requerida, a atualização, atu ação que interpreta o possível, e que só se possibilita no âmbito do improvisacional

Não é à improvisação num sentido vulgar que nos referimos.

A improvisação, tal como ela se configura existencialmente, e na prática de uma abordagem fenomenológico existencial de psicologia e psicoterapia, exige preparo…

O sentido vulgar de improvisação, e o moralismo, não podem obscurecer o sentido germinal da idéia de improvisação, e a fundamental importância não apenas deste sentido maior, mas, em particular, desta modalidade de ser na condição humana, em particular no desdobramento de suas questões existenciais. E, portanto, na fundamentação filosófica, concepção e método de uma abordagem de psicologia e de psicoterapia fenomenológico existencial.

Não é certamente exagero nem impróprio dizer-se que só existe ação na improvisação. E ação especificamente entendida como o vir-a-ser, ato ação, do possível…

Nietzsche chama a atenção para isso. Ele observa ( ) que, em geral, pensamos que premeditamos uma ação, e agimos de acordo com o premeditado. A premeditação, não obstante, é uma coisa — que pode inclusive não ser da ordem da ação, pode ser da ordem do comportamento, ou da reflexão, por exemplo — que efetivamente não são ação –; a ação é outra coisa, ou seja: a ação é um outro modo de ser.

A ação é um mistério…, diria Nietzsche ( ).

Como modo de ser, a reflexão, já é um re-torno à memória de um vivido, que em seu momento próprio foi ativo, mas que já se foi como vida vivida, ativa, encarnada; digo, não abstrata… É re-presentação, e não presentação…

O comportamento, aí incluída a técnica, é atividade estruturada passadamente. É repetição de formas padronizadas, condicionadas de atividade, para a qual já se pode ter uma expectativa.

O que deles, da ação e da reflexão, distingue a ação é o vir a ser de possibilidades, o re-torno, re-volta do possível. A ação, atu ação, é este re-torno, esta re-volta, do possível, a ação atu aliza o possível propulsivo.

Assim, o que caracteriza o especificamente ato, a ação, é que neles (uma) possibilidade(s) se atualiza (m), desdobra(m)-se, vem (vêm) a ser. Possibilidade que está extinta já ao nível dos modos de ser do comportamento ou da reflexão.

E aí é que está a questão. Carecemos vitalmente da reflexão e do comportamento. E eles são como “estar com os calcanhares no chão”. Nossa vida cotidiana carece do reflexivo afastamento, afastamento da vivência do modo de ser do vivido, para instrumentar-se, e contingenciar novas formas e possibilidades de ação. Necessitamos em nossa vida cotidiana da atividade padronizada e repetitiva do comportamento, e da reflexão, no desdobramento de funções igualmente padronizadas e repetitivas.

Num dado momento a ação seria, metaforicamente, como levantar-se na ponta dos pés. Não podemos permanecer na ponta dos pés. Daí que precisamos da reflexão e do comportamento.

No momento todavia da ação, da atuação, atualização de possibilidade, a reflexão e o comportamento não dão conta.

Por mais que estejamos adestrados neles, por mais que tentemos o seu modo específico de ser, inclusive (no que chamamos de) neuroticamente. Na reflexão e no comportamento ocorre como na metáfora de Buber: por mais que embaralhemos um baralho: as cartas permanecerão sempre as mesmas. Apenas a repetição.

O momento da ação é o momento da necessidade do possível, o momento da criação e da atualização do novo. Da experimentação que lhes permite.

Daí que Fritz Perls observa: as questões existenciais humanas só se resolvem experimentalmente.

Ou seja, pelo modo de ser do vivido e do desdobramento do vivido, no qual o possível, como incontornável dimensão ontológica, é possível e se desdobra. Em especial porque o comportamento e a reflexão, exteriores ao nosso modo de ser vivencial, não acessam a nossa dimensão ontológica do pré-ser, do possível “em nós” e do seu desdobramento. O comportamento e a reflexão não acessam, por impróprios, esta dimensão ontológica vivencial de nosso ser em que o possível é possível e se desdobra; a dimensão de nosso ser onde vigoram as possibilidades e a possibilidade de sua atualização e desdobramento. Possibilidade esta cuja vivência chamamos de experimentação.

O modo de ser da ação está fora, assim, do modo de ser da reflexão e do comportamento. De forma que o modo de ser próprio da ação, da atuação, atualização de possibilidades, é pré-reflexivo, vivido, e não comportamental.

Por definição, a ação, que atualiza possibilidades, não é comportada. O novo, a ação, não são da esfera do comportamento. A ação não é reflexiva, não é da esfera da reflexão.

A ação é própria deste modo de ser que é pré-reflexivo, o vivido, ser no mundo, o fenomenal, fenomenativo. Este modo de ser que, ontologicamente, contém, caracteristicamente, o vislumbre do pré-ser, o vislumbre do possível, em seu caráter propulsivo, em sua emergência e/ou urgência.

O que é próprio assim deste modo de ser — que não é reflexão, nem comportamento, e que é o vivido, fenomenal, pré-reflexivo, e pré-conceitual, — é que ele, caracteristicamente, além de ser vivido, pré-reflexivo e pré-conceitual, é sempre (vis) lumbre, lumbre (brilho, aparecimento, acontecimento) da emergência e/ou urgência vivida do possível, da possibilidade. Que se apresenta como emergência e/ou urgência de uma alteridade, de uma outridade, com relação ao nós mesmos, na qual estamos indissociavelmente, intencionalmente, vinculados…: Pré-ser, como diria Heidegger, possibilidade vislumbrada, e que, em sua força de possum, se desdobra como possível propulsivo em nosso ser no mundo…

É essa vislumbrada, vislumbre, vislumbração, da outridade, possível (possibilidade, potente, em sua emergência e/ou urgência, como vivência da possibilidade propulsiva que se desdobra como o “nós” mesmos/mundo, enquanto somos/vimos a ser) que se configura especificamente o como o vis vislumbre — da improvisação. (É interessante observar como vislumbre é uma palavra intencional, fenomenal. Como ela integra o ver com o brilho do visto, o vis e o lumbre).

Ou seja: esta vislumbração do possível é própria deste modo de ser, que é visação, ação vis-a-vis com a outridade do possível, pré-compreensão, que se dá como e na
im pró vis ação, e que é ação no âmbito deste nosso modo de ser vivencial, fenomenal, fenomenativo.

Na verdade, a improvisação é mais propriamente improvislumbração do possível vivido, e, como tal, desdobrado em sua urgência/emergência. Mais especificamente, como vivência que é — não reflexão, não teorização, não comportamento –, a improvisação, impróvislumbração, é o modo de ser que propriamente favorece e provê o modo de vivência, o âmbito, o momentum, no qual o possível é possível, e se desdobra. No qual é possível a experimentação fenomenológico existencial, a interpretação fenomenológico existencial, a hermenêutica fenomenológico existencial, o contato.

E, diga-se de passagem, de um modo mais sumário, a criação, a criatividade.

Uma das características qualitativas mais fundamentais do vislumbre do possível é a propriedade da sua temporalidade peculiar, de seu ritmo sui generis, deslumbrante (decaente?) e singular. Um ritmo que se nos dispomos a atualizá-lo é soberano e insubmisso em seu ciclo de vislumbre e deslumbre. Não é à toa que Heidegger falará de Ser e Tempo… E que Octavio Paz comentará algo como: algo passa com o ritmo, e somos nós próprios que passamos…

Este vislumbre, alumbre, deslumbre da outridade, da alteridade do possível, só se nos é dado na propriedade deste modo de ser que é o vivido do ser no mundo (não na reflexão e/ou no comportamento). De modo que é na vivência de ser no mundo que se constituem este vislumbre e desdobramento da possibilidade do que somos em ser no mundo.

Privilegiar este modo de ser do vivido de ser no mundo, esta vivência de ser no mundo, pré-conceitual, pré-reflexiva, é um modo de ser em prol da vislumbração, emprovisação, é improvisação, improvislumbração. (Num certo sentido vivência e improvisação são termos intercambiáveis em seus sentidos).

Daí que a existência, a resolução de questões existenciais, como ato ação do possível, a interpretação e a experimentação fenomenológico existenciais, a empathia, só se dêem no âmbito deste modo de ser que tão propriamente, e tão inconscientemente já, designamos como improvisação.

A condição de possibilidade da ação, de ser ator (que é ser outro, possibilitado/possibilitando-se), a condição de possibilidade de atuar, agir, vivenciar e atualizar possibilidades — criar/criar-se, resolver/resolver-se, e ao mundo que nos diz respeito — é situar-se (im) neste modo de ser, e privilegiar (pró) este modo de ser, no qual podemos prefigurar e prover, vislumbrar e provisionar — na improvisação — e possibilitar, o desdobramento desta alteridade possível, desta outridade emergente e/ou urgente como o nós mesmos/mundo. E que é possível apenas na vivência de ser no mundo. No vivido, que é improvisacional.

Agir, ser ator, ser outro, a ação, só se dão no âmbito deste modo de ser que é vislumbre do possível, no quando agora em mim; como diria Caetano. Que é ex-peri-ment-ação, e desdobra, possibilita, é hermenêutica da, interpreta a, alteridade do possível no nós mesmos/mundo ; no quando agora em mim. Ou seja, agir, ser ator, ser outro, a ação, dão-se própria e especificamente no âmbito deste modo de ser do vivido, pré-reflexivo, ser no mundo, empático, pático, patético, peripatético, pathoslógico (nada a ver com doença, naturalmente, apenas o logos do pathos), experimental, espiritual, que se configura no âmbito e momentum próprio do vivido improvisacional, da improvisação.

É este o modo de sermos no qual o possível é possível e possibilita-se, desdobra-se. Mas não como objeto.

Este modo de sermos do vivido de ser no mundo, este modo de ser da improvisação, não vigora, como vimos, no modo de ser do comportamento e da reflexão. Nos quais vigoram a não intenção de sujeitos e objetos, de causas, efeitos e realidades realizadas.

Este modo de sermos é dialogicidade, é encontro vivenciado, relação imediata, e improvisação, com a alteridade de mim mesmo, com o outro inter humano ou natural, com o sagrado, enquanto alteridades vivas e presentes, que pontualmente se desdobram em suas diferenças e diferenciações, no âmbito apenas do dialógico momentâneo, no âmbito dialógico da improvisação. Não como sujeitos ou objetos, causas ou efeitos, realidades realizadas.

Ainda que este modo de ser seja, como ação, na definição de Perls,não menos que o núcleo do real.

O dialógico improvisacional, a alteridade do possível, enquanto alteridade do mim mesmo, enquanto outro inter humano, enquanto outro natural não humano, ou sagrado, me demandam e me provêem, pessoal e intransferivelmente, pontualmente, no quando agora em mim, como outro possível e emergente e/ou urgente, como ator, em minha perdida diferenciação deles, e de mim mesmo. (…meu desafio maior seria ser ‘o outro dos outros’, e o ‘outro dos outros’ era eu… Clarice Lispector).

Não como um subjectum, mas como um jectum que pro-jecta-se na imediaticidade im-pro-vis-ação de seus possíveis emergentes e/ou urgentes, propulsivos. Na imediaticidade da dialogicidade da relação eu-tu, diria Buber.

Importa valorizar, afirmar, ser em prol (impro) deste modo de ser que permite o vislumbre e a sua ação, o possível e o seu desdobramento, que nos convocam, e que se projeta como nossa vivência de ser no mundo.

Meramente porque é este o modo de ser em que o possível é possível e se desdobra, o modo de ser em que o possível se atualiza, o modo de ser em que, enquanto tal, agimos e somos atores. E, em particular, o modo de ser em que, em sendo atores, somos outros e criativos. A identificação com o vivido e com o seu desdobramento, a identificação com o possível que lhe é inerente, e com o seu desdobramento configuram na momentaneidade da improvisação uma arte dramática. Drama significa ação; e ação, atu, atu ação, definem-se pela especificidade de serem vir a ser de possibilidade. De modo que o momentum vivido, dialógico, do vir a ser do possível, é momentum dramático. É arte, arte dramática. Na concepção e método da Gestalt Terapia, de uma abordagem fenomenológico existencial de psicologia e psicoterapia, os momentos peculiares de sua prática são momentos de uma arte dramática, e que se dão no âmbito da improvisação. De modo que ela se configura como o privilégio de uma dialógica e arte dramática da improvisação.

Valorizar, afirmar, favorecer, provisionar este modo de ser que é o vivido do ser no mundo é que é o sentido de improvisação é o que nos é dado pela improvisação.

Favorecemos, assim, este modo de ser da improvisação na concepção e método da Gestalt Terapia, e da Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico Existencial, simplesmente, como dissemos, porque é nesse modo de ser que o possível é possível e se desdobra, que vislumbramos o possível em nosso pré-ser, e podemos ser e afirmar, em ação, a sua potência, e o seu desdobramento, em que podemos ser atores e outros.

Não é outro o sentido de Contato em Gestalt.

Contato, e o método da Gestalt Terapia — como uma metodologia que visa uma otimização do processo do contato –, só se dão no âmbito da improvisação, neste sentido. Daí ser Gestalt uma abordagem eminentemente improvisacional, de provisão, e provisação, no âmbito de sua concepção e método, de uma dialógica e arte dramática da improvisação, tanto para o profissional como para o cliente, como atitude e método de provisação do possível emergente e/ou urgente, e de seu desdobramento. Como atitude e método de otimização do processo do contato.

122004.

Da musicalidade da pintura sem coisas, à estética vivência ontofenomenológica da ação — sem objeto, nem sujeito –, pré reflexiva, na produção da obra de arte.

afonso da fonseca

Impressionismo, Expressionismo, e a libertação da ação…

Di Afonso H L da Fonseca, psicólogo.

Para D. Alzira, 
minha simpática vizinha, 
e minha competente e entusiasmada 
professora de História da Arte.

A instância do Impressionismo, e do Expressionismo, no desenvolvimento da Arte Europeia, muito mais do que meramente revelar uma posição no campo da metodológica da produção artística, representa um momento crucial de decisão, na experimentação e na invenção de si pelo homem, e na superação da alienação, no âmbito da civilização ocidental.

Ambas as revoluções, tanto o Impressionismo quanto o Expressionismo, trataram de uma insatisfação com a imposição de uma submissão da arte ao objetivismo. Que a anulava, e oprimia a arte e o ser humano, em importantes de suas possibilidades.

No caso dos Impressionistas, ainda timidamente, mas com artística obstinação, surge uma revolta no sentido da produção, na obra de arte, das variações e nuances, das particularidades do objeto. Variações e nuances que nunca poderiam se submeter à prescrição objetivista de registrar o objeto, a natureza, como uma cópia idealmente perfeita.

Dadas as absolutas particularidades da contingência do efetivo encontro e dialógica da estética relação com ele, e do registro deste encontro…

No caso do Expressionismo, aprofunda-se e amplia-se a revolta.

A revolta no sentido da reivindicação do direito de dizer, na obra de arte, o interdito. Na verdade, o não dito, ou o efetivamente maldito. Pela inflexibilidade da prescrição de produção da obra de arte como uma cópia fiel da natureza, do objeto. A prescrição objetivista. Como a presunção da produção da obra de arte como um objetivismo.

Equivocados estariamos, por completo, se pensássemos que se tratava de uma demanda pelos direitos do subjetivo, da subjetividade, de um subjetivismo.

Tratava-se, antes, na verdade, de uma reivindicação da produção da obra de arte em seus plenos direitos estéticos e poiéticos, como estética, como poiética; ou seja, como ação; como possibilitação, como projeto, como disegno, como perspectiva, como hermenêutica, como interpretação, fenomenológico existensial, como gestalt, como gestaltificação.

A reivindicação pela metodológica estética do ator. Do modo de sermos da ação.

Que, enquanto acontecermos, ontológica, fenomenológico-existencial, e dialogicamente, é um modo de sermos anterior ao modo de sermos do acontecido. No qual vigoram e ininsistem sujeito e objetos. O modo de sermos da ação, que anterior, e constituinte, da objetividade, e da subjetividade.

Alguma confusão conceitual, na formulação — dado que se tratava de artistas, e não de teóricos, ou filósofos. Mas, clareza, em termos da necessidade, do anseio, e do impulso de superação, e de libertação do objetivismo — nesta instância, na produção artística.

Efetivamente, em termos de afirmação e de libertação da ontofenomenológica da vivência humana da ação.

O que, naturalmente, significa a afirmação e a libertação da capacidade humana de criar, de criar-se, igualmente, criando o mundo que lhe diz respeito. De movimentar-se existencialmente, de emocionar-se, de conhecer ontologicamente, de superar-se. Pela afirmação da vivência, da dialógica formativa, de ser-no-mundo.

Os Hindus, os Taoístas, os Zen, sabiam-no já, há milênios.

Mas era uma novidade no Ocidente.

O momento da arte Impressionista, e da arte Expressionista, marca, de um modo indelével, o momento — revoltoso e incontornavelmente pueril momento, todo tingido de rebeldia — em que a Civilização Ocidental assumiu e configurou, de um modo mais explícito, ainda que restrito, a compreensão de que, enquanto humanos, não somos, apenas, o modo de sermos da dicotomia sujeito-objeto. O modo de sermos do acontecido, o modo de sermos do passado. O modo coisa de sermos — modo de sermos do ente.

Somos, igualmente, o acontecer, a ação o presente.

Em verdade, enquanto seres humanos — não simplesmente como artistas, mas, como seres humanos, efetivamente.

Se podemos produzir a vida e a nossa humanidade como reprodução, reflexivamente, como repetição, e como cópia – não como arte, mas como artifício, e fatalismo do artefato; podemos, igualmente, e de diversa maneira, produzir originalmente, como ação, esteticamente, como poiese, efetivamente como produção, e criação.

E, o modo de sermos desta produção ontológica, da estética e da poiese da ação, não é o modo de sermos em que somos sujeitos. Sujeitados… O modo de sermos em que experimentamos a dicotomia sujeito objeto. Não é, igualmente, o modo de sermos em que, sujeitos, confrontamos objetos.

É, antes, o modo sermos que em que somos, devimos, anteriormente à condição do sujeito e do objeto. O modo de sermos que é anterior à condição, reflexiva, em que nós, sujeitos, defrontamos objetos. E com eles nos relacionamos teoreticamente.

O modo ontofenomenológico de sermos é o modo de sermos em que somos ação, a vivência da ação, acontecer. Enquanto vivência do desdobramento de possibilidades.

Em que somos atores.

Paradoxalmente, a arte Europeia pelejara, desde sempre, com o recesso do Renascimento, com a imposição ideológica — como metodologia artística — da reprodução da natureza, da reprodução da coisa, da fiel reprodução do objeto.

Com imposição ideológica do objetivismo.

Obrigando-se a reproduzir-se como cópia da natureza, como cópia de objetos.

Ou seja, na metodológica do modo de sermos do fatalismo, da dicotomia sujeito objeto, e do objetivismo.

Com o Impressionismo o objeto, a coisa a ser copiada, esfumaçou-se, entrou em combustão, dissolve-se em contornos desfocados. E começa a ceder explicitamente à infusão potente da multifacetada e efêmera vivência do possível. Começa a ceder à infusão da hermenêutica do possível, da produção estética, e poiética, artística. Propiciada, como metodológica, pelo privilegiamento, e pela afirmação, da vivência ontofenomenológica.

Com efeito, era o possível, o potente, que se libertava, na superação da inestética prescrição da cópia da coisa, na inestética prescrição da cópia do objeto. Na superação da alienação…

Com o Expressionismo, radicaliza-se o movimento em direção à expressão da pulsão impulsiva, expulsiva, propulsiva, da vivência fenomenológico-existencial do pres-ente, do modo pré-coisa, pro-jeto — pré objetividade, e pré subjetivo –, modo de sermos da ação, da vivência do desdobramento de possibilidades, da gestaltificação.

Em direção à estética do desdobramento de sua força de possibilidade. Vividas como presente. Na atualidade da vivência de seu desdobramento. E, inexoravelmente, como impulsão expulsiva, ex-pressiva. Na elaboração e produção da obra de arte.

Como em Nietzsche, é interessante observar como, paradoxalmente, a alegação de cientificidade é utilizada no Impressionismo, como inovadora, e como justificativa. Alguns Impressionistas valeram-se da ciência — da ótica, do estudo das cores, e da luz — para justificar o seu método de distorção da objetividade do objeto. A multiplicidade das cores, a multiplicidade das modalidades da luz… Tudo isso justificava, na obra de arte impressionista, as distorções inerentes às multiplicidades de apresentações dos objetos, e as diversas impressões que deles registravam, na representação, um tanto quanto apresentativa, de suas insólitas obras primas.

Meteram-se, entretanto, neste sentido, num beco sem saída.

Na medida em que, nele, serviam-se exatamente da ciência objetivista…

Caminhavam já no sentido da Ontologia e da epistemologia de uma ciência pré-reflexiva e intensional, compreensiva e implicativa. Gestaltificativa. Uma ciência da fenomenologia do acontecer, e da dialógica da dramática da ação.

Mas, para eles, a ciência de que se valiam era, ainda, a ciência reflexiva, objetivista, extensional, e explicativa.

Ciência que efetivamente não lhes ajudaria na detonação da arte do objeto, em privilégio de uma arte da atualidade, da presença do possível, do dialógico, e da possibilidade do ser no mundo.

Nietzsche, por seu lado, saiu-se magistralmente da armadilha…

Quando percebeu que, era a ciência que efetivamente lhe daria suporte; mas, em específico, a ciência como cognição compreensiva, e implicativa, a ciência afirmativa, a ciência como ciência alegre, e emotiva, a sua gaya scienza.

E não a ciência positivista, a ciência objetivista…

Poderíamos dizer a arte de uma ciência da ação, uma ciência do ato, uma ciência do modo de sermos do acontecer; anterior ao modo de sermos do acontecido, de sujeito e dos objetos, e de sua viciosa dicotomização. A arte de uma ciência, a ciência de uma arte, que, enquanto tais, não poderiam ser objetivistas.

Porque, especificamente, posicionavam-se, e se posicionam, como ação, como interação, como interpretação, e hermenêutica fenomenológica. Anteriormente à constituição do objeto… Ou melhor, anteriormente à constituição de sujeito e de objetos, e de sua viciada dicotomização.

Tímidos, e confusos em suas explicações, os Impressionistas ainda continuaram fascinados com as promessas de uma ciência objetivista. Ainda indiferenciada entre explicação e compreensão, entre explicação e implicação…

Em mais de um sentido, pode-se dizer, os Expressionistas soltaram o verbo…

No sentido de que libertaram o logos na expressão artística formal.

E, de imediato, o resultado foi a emergente existência, numa obra de arte, de um grito pavoroso. Um pavoroso grito que, no mistério da simplicidade de suas linhas, redundou, até hoje, num tremendo silêncio constrangido…

O grito pavoroso de uma Europa, muda até então, que caminhava aterrorizada para as atrocidades da segunda guerra mundial. Um grito de dentro daqueles momentos terríveis em que a Humanidade se desconhece. Um grito feito pintura expressiva, Expressionista –, no quadro clássico do expressionista norueguês Edvard Munch (1863 – 1944).

Em sua ânsia, talvez, de modo ainda muito enfático e unilateral, os Expressionistas tenham se esquecido do objeto.

Porque, se havia, sempre, uma alteridade, um tu — como diria Buber –, na vivência de seu processo produtivo, na vivência da poiese de suas produções artísticas, nelas não se apresentariam objetos, acontecidos, realidades.

Mas possibilidades.

Uma arte da possibilidade, uma arte da vivência do possível. Uma arte da força plástica da estética, e da poiética, de ser no mundo.

Porque, nela, a vivência de seu processo produtivo, falava a fala, o logos, ontológico, fenomenológico existencial, da ação.

O modo de sermos do acontecer.

Anterior ao modo coisa de sermos do acontecido, no qual se dão sujeitos e objetos.

Tanto que poderíamos dizer que, um tanto raivosamente, talvez, o primeiro princípio de uma ética, estética, Expressionista era: foda-se o objeto. Foda-se a realidade. E, por aí, foda-se o princípio de realidade, e foda-se o positivismo do real. E foda-se ainda o trabalho de sua negatividade…

Se o sujeito, em sua subjetividade, acontecida, real, realizada, é espectador contemplativo, flexivo, reflexivo, sobre, e do objeto, acontecido; no modo ontológico de sermos do ator, fenomenológico existencial, e dialógico, acontecer, não somos sujeitos, nem somos confrontados por objetos, por coisas. Não somos coisas, nem somos confrontados por coisas.

Não contemplamos coisas, objetos, como espectadores.

Atores, no modo de sermos da ação, interagimos com a alteridade, com o tu. Que, jeto, pro-jeto, como dizia Heidegger, não é ob-jeto, de um sub-jeto…

Mas somos ambos, eu e tu, possíveis, na ambiguidade, possibilidades em dialógica, em interação.

E não coisas que se relacionam, na inestética e na inatividade, inércia, de suas respectivas impossibilidades. Na impossibilidade de sua inatividade, num relacionamento impossível.

Na ação, o ator possível — na vivência do desdobramento de sua possibilidade criativa, formativa — interage com o tu — igualmente possível, na vivência do desdobramento das possibilidades criativas, formativas, respectivas.

As condições de sujeito, por um lado, e de ator, por outro, implicam diferentes epistemologias. Na verdade diferentes Ontologias. Diferentes e diversos modos de sermos e de cognição.

Um ôntico, o do sujeito.

Lógico, ontológico o outro — o do ator, da ação.

O do sujeito, o modo acontecido de sermos da contemplação reflexiva de objetos, no qual, teorético, ele em específico é espectador. Ex-pectador.

Uma vez que especificamente fora da perspectiva, da perspectivação.

No outro modo de sermos, o modo de sermos da cognição ontológica do ator, somos a própria vivência da perspectiva. Perspectivação, em sua atividade. Ação, compreensiva e implicativa.

Ação, sempre compreensiva; meramente compreensiva; ou ação compreensiva e musculativa.

Sempre ação compreensiva, e implicativa.

E, em específico, inspectação, o modo de sermos do inspectador. Enquanto tal.

Enquanto que o modo cognitivo de sermos do sujeito é o modo de sermos do espectador. Espectador – expectador –, extensivo, extensional, extensão, extensão do extensivo espectador de objetos. Expectação.

Já que especificamente fora da perspectiva, da perspectivação, do presente. Espectador, expectador, extensivo, da ação, da atualidade, da dialógica da vivência do desdobramento de possibilidades.

Da gestaltificação.

Era pirada, inspirada, a compreensão do moscovita Wassily Kandinsky (1866 – 1944), quando intuía que era música a produção e o resultado de sua pintura.

Efetivamente, tudo é música.

Em especial, o ontológico vivencial fenomenológico insistênsial, exsistensial.

Sabemos até que o cristal é musical, se com ele sintonizamos.

Definitivamente, então, o vivencial é musical.

E, naturalmente, a arte, a pintura vivencial, é música.

Daí a precisão e a importância particular da constatação de Kandinsky.

Kandinsky evoluiu para a arte da pintura abstrata, sob o pressuposto — talvez influenciado pelo Nietzsche de O nascimento da tragédia — da música como uma arte não formativa de coisas. Uma pintura musical abstrata, e musicalmente produzida.

Com efeito, talvez Kandinsky não percebesse, apesar da importância de sua pintura abstrata, que a questão, em essência, não era a da ausência de coisas materiais, na obra, na pintura.

Mas a questão do modo próprio da experiência de sua produção. Que não é a produção que se dê, na sua momentaneidade instantânea, no modo acontecido de sermos, no qual habitam sujeitos que se fletem, e refletem, sobre objetos, que se lhes confrontam.

A questão da produção artística como ação, efetiva e especificamente, no modo de sermos do presente.

O modo de sermos ontologicamente pré-reflexivo. Que em sua duração e decaimento conflui para o reflexivo, e o constitui, em sua conclusão. E que, assim, lhe é especificamente anterior, e constituinte.

O modo de sermos da ação. No qual, ação, não somos sujeitos, nem confrontamos objetos. Ainda que, incontornavelmente, confrontemos a alteridade, um tu, que se contrapõe, como possibilidade. Na medida em que, igualmente, constituímo-nos e nos desdobramos como possibilidade.

De modo que eu e tu se conjugam na dialógica da produção e do desdobramento, ação, na produção e no desdobramento de possibilidades e de sentidos.

Da musicalidade de uma obra sem objetos, à musicalidade da experiência da ação. Anterior a sujeitos e objetos.

Assim foi a busca e a afirmação do Expressionismo. Como momento humano de resistência às dominações mais primitivas da política da existência. Como resistência às dominações que pretendiam e pretendem expropriar o ser humano de sua inerência como presente, e como possível. Como ação. E como ator. Como criador.

Assim, com a sua experimentação fenomenológico insistemsial gestaltificativa, o Expressionismo ensinou ensinamentos fundamentais. Tanto para a Filosofia, como para a Fenomenologia, para as ciências, para a Ciência, para a cultura, e para as culturas humanas.

BIBLIOGRAFIA

BUBER, Martin Eu e Tu.

CARDINAL, Roger O Expressionismo. Rio, Jorge Zahar, 1984.

GOMBRICH, E H, A história da arte. LTC, Rio de Janeiro, RJ, 2013.

HEIDEGGER, Martin Ser e Tempo.

Gestalt-terapia com famílias: transformando os sonhos em realidade

SandraBabele

I Congresso Latino de Gestalt

Título: Gestalt-terapia com famílias: transformando os sonhos em realidade

Autora: Sandra Salomão – Rio de Janeiro – Brasil.

a) Objetivo Geral do Workshop: abordar os projetos afetivos, profissionais e demais projetos que permanecem como sonhos não realizados. As perspectivas pessoal e familiar são enfocadas como figuras que surgem de um fundo transgeracional. Baseia-se teoricamente numa visão holística da pessoa e da família (Zinker, 1979) e se apóia nas concepções de figura e fundo (Perls, 1997), auto-regulação, ajustamento criativo (Perls,1997), de fronteiras e funções de contato (Polster, 2001), e na necessidade de trabalhos emocionais que utilizem a ação. Através das interações experienciais, as pessoas podem fazer contato com o novo como uma realidade concreta, superando o alcance limitado do nível verbal de resolução de bloqueios e dificuldades, conforme afirmam Zinker e Polster quando apresentam o método do experimento em Gestalt-terapia.

No ambiente relativamente seguro do workshop, será facilitada a awareness das dificuldades de realização dos sonhos, procurando obter sua resolução através de uma experiência interacional concreta, utilizando o experimento como uma forma de atuar sobre as fronteiras de contato (Polster e Polster) do indivíduo. As técnicas utilizadas relacionam os projetos pessoais e os familiares e objetivam proporcionar a realização dos sonhos na realidade aqui e agora do workshop. b) A metodologia do trabalho: inicia-se com uma mobilização corporal breve, e em seguida, é realizada uma viagem de fantasia com música de fundo. Com o objetivo de tornar possível uma awareness maior dos projetos, dos sentimentos e das introjeções envolvidos neles. Em seguida é feito um trabalho com material flexível – papel colorido – onde as dificuldades de realização dos sonhos na prática serão relacionadas aos sentimentos e percepções de si no processo de realizar. Nas etapas posteriores é efetuado um trabalho em pequenos grupos, para elaborar e integrar as várias etapas da experiência aqui e agora do workshop e a vida dos participantes. É pedido, então, que criem alternativas de lidar com os projetos, no aqui e agora do encontro, reorganizando concretamente o material trabalhado por eles. Os sentimentos e os valores introjetados são revistos para dar possibilidade à pessoa de criar uma resposta nova. Na finalização, os participantes compartilham a experiência e voltam aos sonhos, procurando relacioná-los com a experiência vivida no Workshop.

Esta técnica foi confeccionada com o objetivo de estimular, através do uso da metáfora dos sonhos o contato com os desejos, as capacidades e os bloqueios que existem na realização de projetos e de uma ação lúdica e experiencial, buscamos o aumento da awareness.

Os sonhos e projetos são carregados através das gerações. Sonhos presentes estão realizados por um fundo transgeracional. O uso de técnicas não verbais junto com as trocas de conteúdo favorecem o uso do ajustamento criativo e dos recursos positivos que as pessoas possuem.

Nos passos da fantasia dirigida constam etapas do processo evolutivo das famílias tendo como base três gerações.

As fases desse trabalho são:

  1. identificação dos sonhos e dos bloqueios

  2. resgate do fundo experiencial familiar, na família atual e tri-geracionalmente.

  1. restabelecimento da awareness

  2. contato com o material de trabalho concreto buscando uma nova Gestalt

  3. ajustamento criativo – awareness mais profunda na confecção e no compartilhar da obra realizada

  4. expansão de fronteiras – generalizando para a vida

  5. finalização – resignificando

Autora

Sandra Salomão Carvalho

Psicóloga, Mestre em Psicologia Social, Gestalt – Terapeuta pelo The Gestalt Training Center of San Diego (USA), especialista em Terapia de Família pelo Núcleo Pesquisas, Terapeuta de família e casal, Professora da PUC/RJ.

Rua Elvira Machado, 16, Botafogo. Tel 21 541-5186 .

E-mail ssalomao@ism.com.br Site: www.centrodegestaltterapia.com.br

Referências Bibliográficas

  1. PERLS, F., HEFFERLINE, R., GOODMAN P. Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus,1997.

  1. POLSTER, E., POLSTER, M. Gestalt-Terapia Integrada. São Paulo: Summus, 2001.

  1. ZINKER, JOSEPH El Proceso Creativo Em La Terapia Guestaltica Argentina: Paidos 1979.

Gestalt pós-moderna: atendimento e supervisão em terapia de casal e família

SandraBabele

Di Sandra Salomao

A Gestalt-terapia surgiu junto com o pós-modernismo, no bojo das psicoterapias alternativas. Fritz Perls apresenta a nova abordagem através de um estilo pós-moderno típico de demonstrações públicas performáticas no melhor estilo espetáculo e com os resultados eficientes de uma psicoterapia bombástica, mais “rápida” do que a psicanálise clássica, aparentemente plena de técnicas que por si só seriam eficientes para a solução de problemas. Aparentemente o formato da nova terapia é apropriado ao ritmo acelerado da contemporaneidade, ao imediatismo de um aqui agora que rompe com a história. Isso faz com que ela apareça e seja facilmente assimilada em seu viés mais aparente.

Entramos na era da tecnociência, da massificação e hiper produção das informações. Do acúmulo de informações não processadas criticamente. O prazer está associado ao consumo de bens e serviços. O culto à imagem supera o valor do conteúdo. Equipamentos de última geração, pesquisas avançadas e clonagem convivem com a fome, a violência e o terrorismo e a destruição. O pós-modernismo parece ser divertido, mas realiza a síntese do nada, do vazio infértil, da ausência de uma interiorização e da busca de sentido para a vida. O sujeito parece inexistir, pois o Aparecer-é Poder impera autoritariamente. A aparência sem essência favorece o aparecimento dos hormônios, das próteses de silicone. Não há tempo para devaneios, de exercer-se humano. Os objetos da paixão tornam-se objetos de produção e não de relação. Expressar amor e afeto é coisa do passado ou romantismo superado.

Certamente é muito complexa a existência da Gestalt-terapia, bem como de qualquer outra psicoterapia nestes tempos pós–modernos, e sua proposta apesar de mais coerente com os tempos atuais, caminha na contra mão das sociedades avançadas, propondo a era da conscientização e do contato, para uma sociedade em que as pessoas vivem como se estivem em bolhas.

A Gestalt-terapia, na verdade, não é tão pós-moderna quanto parece. Sua marca existencialista e os fundamentos filosófico e metodológico fenomenológico fornece um instrumento de leitura e intervenção que trazem as influências das idéias modernas. O aqui e agora da Gestalt não exclui a história. Na verdade denuncia sua atualidade no presente . Dialética pura.

Um dos aspectos mais admiráveis da Gestalt-terapia refere-se a capacidade desta abordagem de manter-se com um sentido de atualidade. Desde que surgiu, há 50 anos, a Gestalt-terapia vem sendo capaz de fornecer um texto conceitual e uma atitude diante do homem, que permitem tanto uma compreensão dos impasses e processos humanos mais inesperados quanto à produção de um método e de instrumentos de intervenção que permanecem adequados às transformações econômicas, políticas, sociais e ideológicas que estiveram em cena durante a segunda metade do século XX.

Sendo assim, gostaria de trazer uma vertente que é a inequívoca vocação teórica e metodológica da Gestalt-terapia, para a psicoterapia com famílias.

A família está no epicentro do bombardeio pós-moderno. É como se estivesse sentada no vulcão. Sofre com as mudanças aceleradas e não tem tempo de assimilar as novas reorganizações. As novas Gestalten que convivem com modelos mais convencionais desafiam psicoterapeutas, educadores e pensadores. Casamentos e recasamentos, uniões efêmeras, divórcios numerosos e prematuros, vão formando um complexo jogo de relações enquanto envolvem contradições com os modelos de relacionamento convencional. Novos mitos e velhos mitos.

Quando a Gestalt-terapia surge ela já era orientada para ser utilizada em indivíduos em relação, e mais tarde para indivíduos em grupos e mais recentemente para famílias e grandes comunidades. Esta abordagem apresentou como um de seus princípios básicos o conceito de self, concebido como processo e como resultado de uma relação com o mundo e com os outros. Fazer contato e estar aware são as condições para realizar um ajustamento criativo. Não existe mais o intra-psíquico como uma estrutura, uma vez que o homem funciona enquanto processo, percebido enquanto totalidade. Também não há mais verdades absolutas sobre saúde e doença. O que há são experiências singulares no processo de viver. O contexto comanda. O trabalho com o cliente é orientado para as relações presentes em sua vida, sua responsabilidade e para a qualidade de seu contato e comunicação. O que determina os procedimentos de trabalho terapêutico é o processo de relacionar-se com a experiência do que ocorre aqui e agora.

todas as concepções da Gestalt-terapia definem o funcionamento do homem na sua rede de relações com o mundo.

Inevitavelmente, uma pessoa corre o risco de ser apreendida do ponto de vista terapêutico mais restritamente com restrições quando percebida fora de sua rede de relacionamentos. Abordá-la fora do seu momento e estilo de fazer contato restringe a apreensão da complexidade do seu existir. Se pensarmos que o homem está sempre em processo de auto-regulação organísmica com o mundo e procurando realizar ajustamentos criativos, o terapeuta assume que dialoga limitadamente com o cliente isolado de seu contexto, pois atua sobre narrativas e não processos relacionais. É óbvio que numa psicoterapia dialógica, podemos nos apropriar do estilo de relacionamento que se estabelece com o cliente e interagir a partir do seu próprio modelo de relação terapêutica.

Por motivos variados a atuação terapêutica com indivíduos separados de suas famílias continua sendo exercida em todo o mundo e é uma prática que não pode ser encarada como totalmente destituída de validade, desde que de fato o diálogo terapêutico, se estabeleça com o cliente enquanto alguém que é percebido como imerso no jogo das relações familiares e sociais.

O atendimento ao indivíduo com sua família ou da família em si parece mais adequado aos conceitos relacionais da Gestalt-terapia e à complexidade das sociedades atuais. Quando estamos começando um trabalho estamos pré-reflexivos, atentos à estética do relacionamento, a gestalt da família, ao seu jogo. Conteúdo e forma nos impressionam integradamente. Não ter a priori nos permite uma leitura e uma intervenção abrangente. Não há verdades fora daquela Gestalt e nós somos experts em trabalhar o entre. Atuar segundo a experiência presente e a fenomenologia de todos, terapeuta e família ou casal nos permite ultrapassar a era da tecnociência e utilizar a arte, a criatividade e o encontro como processo de transformação. A Gestalt-terapia usa a técnica e o encontro terapêuticoa serviço da relação e da reflexão. Nada menos pós-moderno.

Esta abordagem tem muitas faces. E uma das minhas preferidas é o enfrentamento das contradições, dos buracos da personalidade e o enfrentamento das ambigüidades, dos dilemas, das dicotomias e angústias do homem.

Se o que temos é caos, Perls o verdadeiro e falso pós-moderno diria: deixa o caos se organizar. Se há vazio, vamos fertilizá-lo. Se há uma gestalt rígida, vamos destruí-la. Para dar lugar a uma nova.Não pareça. Seja! Não engula, mastigue. Não seja um acúmulo de informações. Sinta. Suas falas já eram antídotos para o pós modernismo. Há cinqüenta anos atrás.

No pós-moderno parece não haver propostas novas. Na Gestalt o crescimento é inerente ao novo. Boa Forma é um conceito libertador. A verdade que ele carrega é estética e então cada família terá a boa gestalt que lhe convier. Neste tempo de verdades tão incertas, uma abordagem que trabalhe com a incerteza, com o variável, com a compreensão a partir do aqui e agora parece ser um bom suporte para o que virá após a destruição das verdades ocidentais.

Gostaria, então, de descrever esquematicamente com quais conceitos da Gestalt-terapia tenho sustentado conceitualmente e metodologicamente meu trabalho com famílias e nas supervisões a estudantes universitários e profissionais iniciantes.

Conceitos básicos da Gestalt terapia com casais e famílias:

Conceito de Gestalt – O todo e a parte, Holismo, teoria de campo, princípio da contemporaneidade.

Desde o intrapsíquico até o sistêmico

Noção de self como processo e definido na fronteira de contato

Descentramento do atendimento do indivíduo para o sistema de relações e de comunicação

Funções e disfunções de contato, fronteiras de contato

Homeostase familiar

Auto-regulação, às vezes disfuncional, ciclo interativo da família, resistência como força criativa.

Perspectiva trigeracional

Princípio da contemporaneidade

Individuação e pertencimento

Fronteiras de contato, Figura fundo, fronteiras, teoria de campo, Disfunções de contato

Família funcional

Boa forma

Ciclo Vital da Família

Processo existencial

Família com matriz de identidade e o ciclo vital da família
Processo EXISTENCIAL, Auto-regulação
Mitos familiares, lealdades
Cristalizações e interrupção no ciclo de auto-regulação

Sintoma / Resistência

Metáfora da família

Concepção Positiva

Ajustamento Criativo, Cristalização e Evolução

Método

Fenomenológico: NA RELAÇÃO COM as pessoas

Contato e awareness

_______________________________________________________________

Técnicas

Uso criativo das técnicas

Uso de técnicas pré-existentes

Princípios gerais na psicoterapia de família e supervisão de terapeutas de família:

Não há critérios de certo ou errado. As verdades circulam e são referentes à experiência de cada um. Todas os posicionamentos são verdadeiros.

A família é percebida como um todo e o terapeuta pertence ao sistema.

As experiências anteriores de atendimentos por parte da equipe podem ser relevantes ou não. A sabedoria do terapeuta e/ou supervisor é empregada de formas variadas. Sua função é o de ser responsável por criar condições para desenvolver a qualidade de atendimento, mais do que dizer o que deve ser feito, embora esta seja, por vezes, a fala adequada e necessária daquele que está investido de terapeuta/supervisor. A supervisão de família deve contar com uma equipe.

Cada terapeuta é convidado a desenvolver a sua capacidade de atender àquela família assim como o supervisor de supervisionar todas as relações e funções presentes:

  1. terapeuta-família-supervisor,

  2. terapeuta -supervisor- demais membros da equipe,

  3. a família emocional do supervisor, do terapeuta e a família atendida,

  4. equipe – terapeuta – família

  5. instituição – equipe – família

  6. outras relações triangulares que aparecem

Metodologia do atendimento:

contato

Centrar-se no processo da experiência presente.

Perceber como a família se auto-regula

Como a energia está distribuída no sistema

Funções que cada membro exerce no sistema

Vinculação das dificuldades com o que está cristalizado e com o que está inacabado

Observar o potencial de saúde do casal ou da família. Indicar isto para a família.

O terapeuta participa do processo da família de forma oscilante: em alguns momentos guia, em outros é guiado e em outros fica fora do sistema, assistindo ao fluxo da experiência da família;

Facilita o contato entre as pessoas da família com intervenções nas funções de contato e nas fronteiras do self;

Utiliza o experimento em busca da Boa Forma, auxiliando o sistema a se dar conta do seu processo de homeostase. Emprego das metáforas em atendimento de casal.

O uso de técnicas de tipos variado provoca o ajustamento criativo e o aparecimento de uma auto-regulação mais adequada ao momento existencial da família. Uso do dever de casa.

Evitar que o atendimento gire apenas em torno do conteúdo.

Toda sessão precisa ser uma experiência de encontro e mobilização dos recursos da família.

Mesmo com o emprego das técnicas a relação que está implicitamente presente é estar com e não fazer para.

Para finalizar lembro como os tempos pós –modernos trouxeram mudanças nas estruturas e valores sagrados ao processo terapêutico. A noção de tempo, por exemplo. O sistema de informações em ritmo tão acelerado faz parecer que o processo de psicoterapia tem uma engrenagem muito lenta. A complexidade do mundo atual é que lidamos com muitas e diferentes narrativas. Políticas de saúde, sistemas de vida social, econômica, política e emocional muito distintos exigem um diálogo terapêutico que consiga decodificar, registrar e interagir com a complexidade da rede dos relacionamentos.

Desta forma, é preciso lembrar que a Gestalt terapia e o atendimento à família e casais de fato pode ser feito em espaço bastante limitado de tempo, porém com bastante aprofundamento.

O formato dinâmico e humanista da Gestalt-terapia a mantém compatível com todos os modelos que a humanidade criou e que continuará criando, enquanto houver água potável e vida sensível na terra.

Gestalt-terapia: uma terapia criativa e experiencial

SandraBabele

Di Sandra Salomao

Resumo: A Gestalt-terapia é uma abordagem existencial-fenomenológica cuja sessão de psicoterapia é uma oportunidade de experimentação aqui e agora dos conflitos, questões e disfunções apresentadas pelas pessoas. Emprega uma relação terapêutica em que o relacionamento é legítimo per si, o sentir um guia e a criatividade uma atividade desejada. Apresentamos a metodologia, o campo de atuação e a formação.

Palavras chave: awareness, aqui e agora, fenomenologia, experiência, contato, holismo. Leggi tutto

“HERMES” arriva in Mugello

hermes mugello

È attivo il servizio di psicoterapia a costi sociali

Dopo Firenze, Scandicci, Sesto Fiorentino e Calenzano, anche in Mugello prende il via il progetto “Hermes” che offre percorsi di psicologia e psicoterapia, aperti a tutti e con tariffe a seconda della propria situazione reddituale.

La volontà di garantire un appoggio psicologico, competente e professionale, a costi sociali nasce dal confronto e dalla collaborazione tra Istituto Gestalt Firenze e le Cooperative Sociali Il Cenacolo e ConVoi che con “Hermes” vanno a promuovere concretamente l’idea che il supporto psicologico possa migliorare la qualità della vita delle persone e che pertanto debba essere il più possibile accessibile a tutta la popolazione. Leggi tutto